Vocabulário de português · C2
Estas são as 1.000 palavras ensinadas nos cursos e manuais de português de nível C2 (Proficiência). Cada uma tem uma definição e uma frase de exemplo em português, sem tradução: como aprendem os nativos.
| Palavra | Significado | Exemplo |
|---|---|---|
| a prosa | Forma corrente de escrever, sem versos nem rima, usada nos romances e nos ensaios. | Saramago escreveu uma prosa de frases longas e pontuação pouco habitual. |
| o lirismo | Expressão intensa dos sentimentos pessoais, sobretudo na poesia e na música. | O lirismo das suas canções fala de amor e de saudade. |
| a lírica | Género literário em que o poeta exprime emoções e estados de alma. | A lírica trovadoresca galego-portuguesa inclui cantigas de amigo e de amor. |
| a épica | Género literário que narra em verso os feitos grandiosos de heróis ou de um povo. | Os Lusíadas são a obra maior da épica portuguesa. |
| a epopeia | Longo poema narrativo que celebra as façanhas de um herói ou de uma nação. | Camões compôs uma epopeia sobre a viagem de Vasco da Gama à Índia. |
| a elegia | Poema triste em que se lamenta uma morte ou uma perda. | Depois da morte do amigo, o poeta escreveu uma elegia comovente. |
| a ode | Poema de tom elevado que celebra uma pessoa, um objeto ou uma ideia. | Ricardo Reis escreveu mais de uma ode à maneira do poeta latino Horácio. |
| o soneto | Poema de catorze versos, organizados em duas quadras e dois tercetos. | Florbela Espanca é famosa por cada soneto apaixonado que publicou. |
| a quadra | Estrofe de quatro versos, muito usada na poesia popular. | Nas festas de Santo António, cada manjerico leva uma quadra popular. |
| a redondilha | Verso de cinco ou de sete sílabas, típico da poesia tradicional. | A redondilha maior tem sete sílabas e soa muito natural em português. |
| a estrofe | Grupo de versos que forma uma unidade dentro de um poema. | O poema tem cinco versos em cada estrofe e termina com um refrão. |
| a rima | Repetição de sons iguais ou parecidos no fim de dois ou mais versos. | Em "coração" e "canção" há uma rima perfeita. |
| a métrica | Conjunto de regras sobre a medida e o ritmo dos versos. | O professor pediu-nos para analisar a métrica de cada verso. |
| o decassílabo | Verso que tem dez sílabas métricas. | O decassílabo heroico é o verso usado em Os Lusíadas. |
| o alexandrino | Verso de doze sílabas métricas, muito usado na poesia francesa e parnasiana. | Este poeta parnasiano compunha quase sempre em alexandrino com cesura no meio. |
| o verso livre | Verso sem número fixo de sílabas nem rima obrigatória. | Álvaro de Campos preferia o verso livre às formas fixas tradicionais. |
| a aliteração | Repetição de sons consonantes iguais em palavras próximas, para criar um efeito sonoro. | Em "o rato roeu a rolha", há uma aliteração do som r. |
| a assonância | Repetição de sons vocálicos iguais ou parecidos em palavras próximas. | A assonância das vogais abertas dá ao poema um tom luminoso. |
| a anáfora | Repetição da mesma palavra ou expressão no início de versos ou frases seguidas. | O discurso usa a anáfora "Eu quero..." no começo de cada parágrafo. |
| a elipse | Omissão de uma ou mais palavras que se percebem facilmente pelo contexto. | Em "Eu fui ao cinema; ela, ao teatro", há uma elipse do verbo. |
| o hipérbato | Alteração da ordem normal das palavras numa frase, com efeito expressivo. | Os poetas clássicos usavam o hipérbato para ajustar a frase ao ritmo do verso. |
| a sinestesia | Mistura de sensações de sentidos diferentes numa mesma expressão. | "Uma voz doce e quente" é um bom exemplo de sinestesia. |
| a perífrase | Uso de várias palavras para dizer o que se poderia dizer com uma só. | "O astro-rei", em vez de "o Sol", é uma perífrase conhecida. |
| a litote | Forma de afirmar algo negando o contrário, muitas vezes para suavizar. | Dizer "não é nada feio" em vez de "é bonito" é uma litote. |
| a prosopopeia | Atribuição de qualidades ou ações humanas a animais, objetos ou ideias. | Em "o vento chorava na janela", o poeta recorre à prosopopeia. |
| a apóstrofe | Interpelação direta a alguém ou a algo, presente ou ausente, no meio de um texto. | "Ó mar salgado!" é uma apóstrofe famosa de Fernando Pessoa. |
| a gradação | Sequência de palavras ou ideias que aumentam ou diminuem de intensidade. | "Chegou, viu, venceu" mostra uma gradação de ações cada vez mais fortes. |
| o quiasmo | Figura em que os termos de uma frase se repetem em ordem cruzada. | "Comer para viver, não viver para comer" é um quiasmo clássico. |
| a sinédoque | Figura que usa a parte pelo todo, ou o todo pela parte. | Dizer "mil cabeças" para "mil pessoas" é uma sinédoque. |
| o pleonasmo | Repetição desnecessária de uma ideia já expressa, como em "subir para cima". | "Ver com os próprios olhos" é um pleonasmo que às vezes reforça a ideia. |
| a tautologia | Afirmação que repete a mesma ideia com outras palavras e não acrescenta nada. | "Um amigo é um amigo" parece uma tautologia, mas tem força expressiva. |
| o tropo | Uso de uma palavra num sentido figurado, como na metáfora ou na metonímia. | A metáfora é o tropo mais estudado nas aulas de literatura. |
| o timbre | Qualidade própria de um som ou de uma voz que a distingue das outras. | Reconheci-a logo pelo timbre grave e rouco da voz. |
| a cadência | Ritmo regular de sons, de movimentos ou de palavras. | O orador falava com uma cadência lenta e segura. |
| a toada | Melodia simples e repetitiva; também o som contínuo de alguma coisa. | Os pescadores cantavam uma velha toada enquanto puxavam as redes. |
| a dicção | Maneira de pronunciar as palavras ao falar ou ao cantar. | A atriz tem uma dicção perfeita; percebe-se cada sílaba. |
| a eloquência | Capacidade de falar ou escrever de forma clara, bonita e convincente. | A eloquência do advogado impressionou todo o tribunal. |
| a verbosidade | Tendência para usar palavras a mais, sem necessidade. | A verbosidade do relatório escondia a falta de ideias concretas. |
| a prolixidade | Defeito de quem se alonga demasiado ao falar ou ao escrever. | A prolixidade do conferencista fez metade da sala adormecer. |
| a concisão | Qualidade de dizer muito com poucas palavras. | Os bons títulos de jornal exigem concisão e clareza. |
| a sobriedade | Qualidade do que é simples, moderado e sem exageros. | A sobriedade da decoração tornava a sala elegante. |
| a contenção | Controlo das emoções ou dos gestos; ausência de excessos. | O ator interpretou a cena da despedida com grande contenção. |
| o despojamento | Simplicidade extrema, sem enfeites nem elementos supérfluos. | O despojamento da casa, com paredes brancas e poucos móveis, impressionou-nos. |
| o requinte | Elegância e gosto muito apurados no estilo ou nas maneiras. | O jantar foi servido com um requinte digno de um palácio. |
| o refinamento | Qualidade de quem ou do que é muito delicado, culto e elegante. | O refinamento do seu estilo nota-se em cada página do livro. |
| o preciosismo | Excesso de cuidado e de rebuscamento na linguagem ou no estilo. | O preciosismo do autor torna alguns parágrafos quase ilegíveis. |
| o barroquismo | Gosto pelo excesso de ornamentos e de complicação na arte ou na escrita. | O barroquismo da fachada contrasta com a simplicidade do interior. |
| o maneirismo | Estilo artístico do século XVI; também maneira afetada e repetitiva de fazer algo. | O maneirismo do cantor, com gestos sempre iguais, cansou o público. |
| o classicismo | Estilo que segue os modelos da Antiguidade grega e romana, com equilíbrio e ordem. | O classicismo valorizava a harmonia, a proporção e a razão. |
| o simbolismo | Movimento literário do fim do século XIX que sugere sensações através de imagens e sons. | Camilo Pessanha é o grande nome do simbolismo português. |
| o parnasianismo | Movimento poético do século XIX que defendia a perfeição formal e a arte pela arte. | O parnasianismo preocupava-se sobretudo com a forma perfeita do verso. |
| o decadentismo | Corrente artística do fim do século XIX marcada pelo pessimismo e pelo gosto do requinte. | O decadentismo refletia o cansaço de uma época que se sentia no fim. |
| o saudosismo | Movimento literário português que fazia da saudade o centro da identidade nacional. | Teixeira de Pascoaes foi o principal teórico do saudosismo. |
| o sebastianismo | Crença popular na volta do rei D. Sebastião para salvar Portugal; esperança num salvador. | O sebastianismo surgiu depois do desaparecimento do rei em Alcácer Quibir. |
| o messianismo | Esperança na chegada de alguém que vai resolver todos os problemas de um povo. | O historiador estudou o messianismo nas revoltas camponesas do século XIX. |
| o existencialismo | Corrente filosófica que põe no centro a liberdade e a responsabilidade do indivíduo. | Sartre e Camus são autores ligados ao existencialismo. |
| o niilismo | Atitude filosófica que nega a existência de valores ou de sentido para a vida. | A personagem principal oscila entre o niilismo e a esperança. |
| o ceticismo | Atitude de quem duvida e não aceita facilmente uma ideia sem provas. | Os cientistas receberam o anúncio com algum ceticismo. |
| o estoicismo | Filosofia antiga que ensina a aceitar o destino com calma; firmeza perante o sofrimento. | Enfrentou a doença com um estoicismo admirável. |
| o hedonismo | Doutrina que vê o prazer como o principal objetivo da vida. | O hedonismo da personagem leva-a a gastar tudo em festas. |
| o epicurismo | Filosofia que procura a felicidade nos prazeres simples e moderados. | O epicurismo ensina que a amizade e a tranquilidade bastam para ser feliz. |
| o determinismo | Ideia de que tudo o que acontece tem causas que o tornam inevitável. | O romance naturalista é marcado pelo determinismo do meio social. |
| o livre-arbítrio | Capacidade de escolher e de decidir por vontade própria. | O debate sobre o livre-arbítrio continua aberto entre filósofos e neurocientistas. |
| o fatalismo | Atitude de quem acredita que nada se pode mudar porque tudo já está decidido. | O fatalismo do avô irritava os netos: "o que tem de ser, será". |
| o providencialismo | Doutrina que explica a história como resultado de uma vontade superior que tudo guia. | Os cronistas medievais escreviam a história com um forte providencialismo. |
| o maniqueísmo | Forma de ver o mundo dividido de modo simplista entre o bem e o mal. | O filme peca pelo maniqueísmo: os heróis são perfeitos e os vilões, monstros. |
| o relativismo | Ideia de que a verdade e os valores dependem do contexto ou da cultura. | O relativismo cultural ajuda a compreender costumes muito diferentes dos nossos. |
| o positivismo | Corrente filosófica que só aceita como conhecimento o que pode ser verificado pela ciência. | Auguste Comte é considerado o fundador do positivismo. |
| o empirismo | Doutrina segundo a qual o conhecimento vem da experiência dos sentidos. | Locke e Hume são grandes nomes do empirismo britânico. |
| o racionalismo | Doutrina que considera a razão a principal fonte do conhecimento. | Descartes é a figura central do racionalismo do século XVII. |
| o idealismo | Tendência para seguir ideais elevados; também doutrina que dá primazia às ideias sobre a matéria. | O idealismo dos jovens voluntários contagiou toda a aldeia. |
| o materialismo | Valorização excessiva dos bens materiais; também doutrina que explica tudo pela matéria. | Critica o materialismo de uma sociedade que só pensa em comprar. |
| o humanismo | Movimento do Renascimento que valorizava o ser humano e o estudo dos autores antigos. | Erasmo foi uma das grandes figuras do humanismo europeu. |
| o iluminismo | Movimento do século XVIII que defendia a razão, a ciência e a liberdade. | O iluminismo influenciou as reformas do Marquês de Pombal. |
| a escolástica | Filosofia ensinada nas universidades medievais, que procurava conciliar a fé e a razão. | Na Idade Média, a escolástica dominava o ensino da filosofia. |
| a hermenêutica | Arte ou ciência de interpretar textos e o seu sentido. | A hermenêutica jurídica ajuda a perceber o verdadeiro alcance de uma lei. |
| a exegese | Explicação pormenorizada e crítica de um texto, sobretudo antigo. | O professor fez uma exegese minuciosa do primeiro canto do poema. |
| a glosa | Comentário ou explicação de um texto; também poema que desenvolve um mote. | O poeta escreveu uma glosa a partir de um mote popular. |
| a paráfrase | Explicação de um texto com outras palavras, mantendo o mesmo sentido. | Fez uma paráfrase do artigo para que os alunos o entendessem melhor. |
| o pastiche | Obra que imita deliberadamente o estilo de outro autor ou de uma época. | O conto é um pastiche divertido dos romances policiais ingleses. |
| o plágio | Apresentação como sua de uma obra ou ideia de outra pessoa. | A tese foi anulada quando se descobriu o plágio. |
| a intertextualidade | Relação de um texto com outros textos que cita, imita ou retoma. | A intertextualidade entre o romance e Os Lusíadas é evidente desde o título. |
| o subtexto | Sentido escondido que se percebe por baixo do que é dito explicitamente. | O subtexto da conversa era claro: ela queria sair da empresa. |
| a entrelinha | O que se dá a entender num texto sem estar escrito de forma direta. | A carta era simpática, mas cada entrelinha deixava ver alguma mágoa. |
| o não-dito | Aquilo que fica por dizer, mas que se sente numa conversa ou num texto. | Naquela família, o não-dito pesava mais do que as palavras. |
| o implícito | Aquilo que não é dito diretamente, mas que se compreende. | Para interpretar o texto, é preciso atender ao implícito e não só ao literal. |
| o motivo | Tema, imagem ou elemento que se repete numa obra de arte ou numa tradição. | O mar é um motivo recorrente na poesia portuguesa. |
| o tópico | Tema tradicional que aparece em muitas obras; também assunto de uma conversa. | O tópico do "carpe diem" vem da poesia latina. |
| a diegese | O mundo e a sequência de acontecimentos contados numa narrativa. | A música que as personagens ouvem pertence à diegese do filme. |
| a intriga | Conjunto de acontecimentos que formam a ação de uma história; também maquinação secreta. | A intriga do romance gira à volta de uma herança disputada. |
| o desenlace | Parte final de uma história, em que se resolve o conflito. | O desenlace do filme surpreendeu toda a gente na sala. |
| o clímax | Momento de maior tensão ou intensidade numa história ou numa situação. | No clímax da peça, o herói descobre a verdade sobre o pai. |
| o anticlímax | Fim fraco ou dececionante depois de grande expectativa. | Depois de tanto suspense, o final foi um verdadeiro anticlímax. |
| a peripécia | Acontecimento imprevisto que muda o rumo de uma história. | A viagem foi cheia de peripécias, desde o pneu furado à mala perdida. |
| o epílogo | Parte final de uma obra que conta o que aconteceu depois da ação principal. | No epílogo, ficamos a saber que os protagonistas se reencontraram. |
| o prólogo | Texto de introdução que vem antes do início de uma obra. | O autor explica no prólogo por que razão escreveu o livro. |
| o proémio | Introdução de uma obra, sobretudo de um poema épico. | No proémio de Os Lusíadas, o poeta apresenta o assunto do poema. |
| a invocação | Parte de um poema em que o autor pede ajuda e inspiração às musas. | Na invocação, Camões pede inspiração às ninfas do Tejo. |
| a catarse | Libertação de emoções fortes, como o medo ou a pena, provocada por uma obra ou experiência. | Para muitos espectadores, a tragédia provoca uma verdadeira catarse. |
| o pathos | Capacidade de um discurso ou de uma obra de despertar emoções fortes. | O orador recorreu ao pathos para comover a plateia. |
| o ethos | Imagem de credibilidade e carácter que alguém transmite ao falar. | O ethos do médico, calmo e experiente, convenceu os pais. |
| a mimese | Imitação ou representação da realidade na arte. | Para Aristóteles, a mimese é a base de toda a criação artística. |
| a verosimilhança | Qualidade do que parece verdadeiro ou possível, mesmo sendo inventado. | O enredo é fantástico, mas tem uma verosimilhança surpreendente. |
| o arquétipo | Modelo original ou figura típica que se repete em muitas histórias e culturas. | O velho sábio é um arquétipo presente em muitos contos. |
| o mito | Narrativa antiga sobre deuses e heróis; também ideia falsa em que muita gente acredita. | O mito de Ulisses está ligado à fundação lendária de Lisboa. |
| a mitologia | Conjunto das narrativas sobre deuses e heróis de um povo. | Na mitologia grega, Zeus é o senhor do Olimpo. |
| a fábula | Pequena história, muitas vezes com animais, que transmite uma lição moral. | Na fábula da cigarra e da formiga, aprende-se o valor do trabalho. |
| a parábola | Pequena narrativa com uma lição moral ou espiritual, contada por comparação. | O avô contava sempre uma parábola antes de dar um conselho. |
| a efabulação | Construção imaginativa de uma história ou do seu enredo. | A efabulação do romance mistura factos históricos e invenção. |
| o devir | Processo contínuo de mudança e transformação. | Heraclito via o mundo como um eterno devir. |
| o âmago | A parte mais profunda e essencial de alguma coisa. | Aquela notícia tocou-o no âmago da alma. |
| o cerne | Parte central e mais importante de uma questão. | Vamos ao cerne do problema: falta dinheiro para o projeto. |
| a essência | Aquilo que é fundamental e caracteriza algo; também extrato concentrado de uma planta. | A essência do fado é a expressão da saudade. |
| a quintessência | O exemplo mais puro e perfeito de alguma coisa. | Para muitos, aquele fadista é a quintessência da tradição lisboeta. |
| a substância | Matéria de que algo é feito; também o conteúdo essencial de um discurso. | O discurso foi bonito, mas teve pouca substância. |
| o atributo | Qualidade ou característica própria de alguém ou de algo. | A paciência é o principal atributo de um bom professor. |
| o ser | Tudo o que existe; também pessoa ou criatura viva. | Cada ser humano merece ser tratado com respeito. |
| o nada | Ausência total de existência ou de coisas. | O astronauta olhava para o nada escuro do espaço. |
| o absurdo | Aquilo que é contrário à razão ou ao bom senso; falta de sentido. | O teatro do absurdo mostra personagens presas em situações sem lógica. |
| o desencanto | Perda de entusiasmo ou de ilusão perante algo que se admirava. | Depois de anos na profissão, sentia um enorme desencanto. |
| o desengano | Perda de uma ilusão ao perceber a verdade de uma situação. | O desengano chegou quando percebeu que o sócio o enganara. |
| o enlevo | Estado de encanto e admiração profunda. | Ouvia a sinfonia num enlevo que a fazia esquecer tudo. |
| o êxtase | Estado de alegria ou de admiração tão intensa que nos faz esquecer o resto. | Os adeptos entraram em êxtase com o golo no último minuto. |
| o arrebatamento | Emoção súbita e muito forte que domina uma pessoa. | Num arrebatamento de raiva, rasgou a carta sem a ler. |
| o fervor | Entusiasmo intenso e apaixonado com que se faz ou se defende algo. | Defendeu o projeto com um fervor que convenceu todos. |
| o ardor | Paixão ou entusiasmo intenso; também sensação de calor e de queimadura. | Os jovens atletas treinavam com ardor para o campeonato. |
| o afã | Esforço ansioso e empenhado para conseguir algo depressa. | No afã de acabar a tempo, esqueceu-se de guardar o ficheiro. |
| a sofreguidão | Grande pressa e avidez ao comer, beber ou desejar algo. | O rapaz bebeu a água com sofreguidão depois da corrida. |
| a avidez | Desejo muito intenso de ter ou de conhecer algo. | Lia romances com tal avidez que acabava um por dia. |
| a cobiça | Desejo exagerado de possuir riquezas ou o que é dos outros. | A cobiça dos herdeiros acabou por dividir a família. |
| a concupiscência | Desejo intenso de bens ou de prazeres, sobretudo sensuais. | Os moralistas do século XVII condenavam a concupiscência dos cortesãos. |
| a luxúria | Desejo sexual excessivo e descontrolado. | No auto de Gil Vicente, cada personagem representa um vício, como a avareza ou a luxúria. |
| a volúpia | Prazer intenso dos sentidos. | Saboreava o chocolate com uma volúpia quase infantil. |
| a lascívia | Comportamento ou tendência marcada pelo desejo sensual. | O pintor foi criticado pela lascívia de algumas figuras do quadro. |
| o pudor | Sentimento de vergonha ou de reserva em relação ao corpo ou à intimidade. | Por pudor, não quis falar da sua vida privada na entrevista. |
| o recato | Discrição e modéstia no comportamento e na maneira de vestir. | A personagem é descrita como uma jovem de grande recato. |
| a castidade | Abstenção de relações sexuais, por escolha ou por voto. | Na Idade Média, os cavaleiros de certas ordens faziam voto de castidade. |
| o pecado | Falta contra as regras de uma religião; em sentido figurado, erro ou excesso. | Comer aquele bolo inteiro foi um pecado delicioso. |
| a expiação | Ato de sofrer um castigo ou de fazer algo para reparar uma falta. | No romance, a viagem é uma forma de expiação pelos erros do passado. |
| a redenção | Libertação de uma culpa ou de uma situação má; recuperação moral. | O filme conta a redenção de um homem que tenta reparar o mal que fez. |
| a remissão | Perdão de uma dívida ou de uma pena; também diminuição dos sintomas de uma doença. | Após o tratamento, a doença entrou em remissão. |
| a penitência | Castigo ou sacrifício que alguém aceita para reparar uma falta. | Como penitência, prometeu ir a pé até casa da avó. |
| o remorso | Sofrimento interior de quem sabe que fez mal. | O remorso não o deixou dormir depois de mentir à irmã. |
| a contrição | Arrependimento sincero e profundo por uma falta cometida. | O jogador pediu desculpa ao adversário com evidente contrição. |
| o arrependimento | Pena ou tristeza por ter feito ou não ter feito alguma coisa. | O seu único arrependimento era não ter aprendido a tocar piano. |
| a compaixão | Sentimento de pena perante o sofrimento dos outros, com vontade de ajudar. | Os voluntários tratam os doentes com compaixão e paciência. |
| a misericórdia | Bondade que leva a perdoar ou a ajudar quem sofre. | O juiz mostrou misericórdia e reduziu a pena do jovem. |
| a clemência | Disposição para perdoar ou para castigar com menos dureza. | O réu pediu clemência ao tribunal. |
| a piedade | Sentimento de pena e de compaixão por quem sofre; também devoção religiosa. | Ao ver o cão ferido, sentiu uma enorme piedade. |
| a comiseração | Pena profunda pelo sofrimento ou pela desgraça de outra pessoa. | Olhou para o mendigo com comiseração e deu-lhe o casaco. |
| a abnegação | Atitude de quem renuncia aos seus interesses para ajudar os outros. | A enfermeira cuidou dos doentes com uma abnegação admirável. |
| a renúncia | Ato de desistir voluntariamente de algo a que se tem direito. | A renúncia do presidente do clube apanhou todos de surpresa. |
| a ascese | Prática de disciplina rigorosa do corpo e do espírito para alcançar uma perfeição. | O treino do maratonista era uma verdadeira ascese diária. |
| o ascetismo | Modo de vida austero, com renúncia aos prazeres e ao conforto. | O ascetismo do pintor era conhecido: vivia sem aquecimento nem televisão. |
| a frugalidade | Hábito de viver ou de comer com simplicidade e moderação. | A frugalidade dos avós permitiu-lhes poupar para a velhice. |
| a parcimónia | Moderação e cuidado no uso de algo, sobretudo de dinheiro. | O orçamento deve ser gerido com parcimónia este ano. |
| a temperança | Moderação nos desejos, nos prazeres e nas emoções. | A temperança era vista pelos antigos como uma virtude essencial. |
| a prudência | Cuidado e reflexão para evitar erros ou perigos. | Conduza com prudência, porque a estrada está escorregadia. |
| a sabedoria | Conhecimento profundo unido ao bom senso e à experiência da vida. | A sabedoria da avó resolvia qualquer discussão em família. |
| a sapiência | Saber vasto e profundo, próprio de quem estudou muito. | O velho professor falava com uma sapiência que impressionava os alunos. |
| o saber | Conjunto de conhecimentos adquiridos pelo estudo ou pela experiência. | O saber não ocupa lugar, diz o provérbio. |
| o discernimento | Capacidade de julgar com clareza e de distinguir o certo do errado. | Um bom juiz precisa de discernimento e de equilíbrio. |
| a acuidade | Capacidade de perceber ou de compreender as coisas com precisão. | A acuidade visual dos pilotos é testada todos os anos. |
| a argúcia | Inteligência rápida e subtil para perceber ou resolver as coisas. | Com grande argúcia, a detetive encontrou a contradição no depoimento. |
| a finura | Delicadeza e inteligência subtil no trato ou no pensamento. | Respondeu à provocação com uma finura que desarmou o adversário. |
| o engenho | Talento e capacidade de inventar; também máquina ou aparelho. | Com muito engenho, transformou uma garagem velha num estúdio. |
| a engenhosidade | Qualidade de quem encontra soluções criativas e inteligentes. | A engenhosidade do mecanismo surpreendeu os engenheiros. |
| o estro | Inspiração criativa e entusiasmo de um artista, sobretudo de um poeta. | Nos últimos anos, o estro do poeta pareceu esgotar-se. |
| a inspiração | Impulso criativo que leva a ter ideias ou a criar uma obra. | A escritora encontra inspiração nas caminhadas junto ao mar. |
| a musa | Pessoa ou coisa que inspira um artista. | A mulher do pintor foi a sua grande musa durante décadas. |
| a vocação | Inclinação natural para uma atividade ou profissão. | Desde pequena que tinha vocação para a medicina. |
| a providência | Medida tomada para resolver ou prevenir algo; também proteção divina. | A câmara tomou todas as providências necessárias para evitar inundações. |
| a sina | Destino que se considera fixado de antemão. | Era a sua sina andar sempre de terra em terra. |
| o infortúnio | Acontecimento infeliz ou situação de má sorte. | Um infortúnio atrás do outro levou a família à ruína. |
| a desdita | Má sorte; situação de infelicidade. | Para sua desdita, o comboio partiu um minuto antes de ele chegar. |
| a desventura | Acontecimento triste ou infeliz que alguém sofre. | O romance narra a desventura de dois amantes separados pela guerra. |
| a adversidade | Situação difícil ou contrária aos nossos interesses. | Nos momentos de adversidade é que se conhecem os verdadeiros amigos. |
| a vicissitude | Mudança imprevista, sobretudo para pior, na vida ou nos acontecimentos. | A empresa sobreviveu a todas as vicissitudes do mercado. |
| a agrura | Dificuldade ou sofrimento que torna a vida dura. | O livro descreve as agruras da vida dos emigrantes em França. |
| a amargura | Tristeza profunda e ressentimento causados por uma desilusão. | Falava do antigo emprego com uma amargura evidente. |
| o fel | Sabor muito amargo; em sentido figurado, rancor e azedume. | As críticas dele vinham carregadas de fel. |
| a acrimónia | Aspereza e azedume nas palavras ou no comportamento. | O debate decorreu com uma acrimónia pouco habitual entre colegas. |
| a aspereza | Qualidade do que é rugoso ao toque ou duro no trato. | Respondeu com tal aspereza que a funcionária ficou ofendida. |
| a rispidez | Maneira dura e seca de falar ou de tratar alguém. | A rispidez do chefe tornava as reuniões desagradáveis. |
| a urbanidade | Delicadeza e boa educação no trato com os outros. | O embaixador recebeu os visitantes com a urbanidade habitual. |
| a cortesia | Comportamento educado e atencioso para com os outros. | Por cortesia, o motorista abriu a porta à senhora. |
| a afabilidade | Qualidade de quem é amável, simpático e acolhedor. | A afabilidade da dona da pensão fez-nos sentir em casa. |
| a lhaneza | Simplicidade franca e sincera no trato com os outros. | Apesar de famoso, tratava toda a gente com lhaneza. |
| a bonomia | Bondade simples e tranquila, de quem leva a vida com calma. | O velho farmacêutico era conhecido pela sua bonomia e paciência. |
| a jovialidade | Alegria e boa disposição constantes. | A jovialidade da avó animava todas as festas de família. |
| a galhardia | Elegância e coragem com que alguém se apresenta ou age. | A equipa perdeu, mas lutou com galhardia até ao fim. |
| a gentileza | Ato ou atitude amável e delicada para com alguém. | Teve a gentileza de me emprestar o guarda-chuva. |
| o garbo | Elegância e boa presença no porte e nos gestos. | O cavaleiro desfilou com garbo pela avenida. |
| a altivez | Atitude de quem se julga superior aos outros; orgulho. | A altivez da condessa afastava os criados. |
| a sobranceria | Ar de superioridade e desprezo perante os outros. | Falava dos colegas com uma sobranceria insuportável. |
| a empáfia | Vaidade exagerada e arrogante. | Com toda a empáfia, disse que ninguém o igualava em nada. |
| a jactância | Hábito de se gabar dos próprios méritos. | A jactância do jogador irritou os adversários antes do jogo. |
| a fanfarronice | Atitude de quem conta façanhas exageradas ou falsas para se mostrar. | Aquela história do tubarão era pura fanfarronice. |
| a bazófia | Vaidade de quem se gaba sem razão; conversa de presunçoso. | Deixa-te de bazófia e mostra-nos o que sabes fazer. |
| a desfaçatez | Falta de vergonha em fazer ou dizer algo incorreto. | Teve a desfaçatez de pedir dinheiro emprestado outra vez. |
| o descaramento | Atitude de quem age mal sem qualquer vergonha. | Com que descaramento passou à frente de toda a fila! |
| a insolência | Falta de respeito ofensiva para com alguém. | O aluno foi castigado pela insolência com que respondeu ao professor. |
| a petulância | Atrevimento arrogante de quem se julga mais do que é. | A petulância do estagiário surpreendeu os colegas mais velhos. |
| a impertinência | Comentário ou atitude inoportuna e pouco respeitosa. | Desculpe a impertinência, mas quanto ganha por mês? |
| a ousadia | Coragem para fazer algo arriscado ou fora do comum. | A ousadia do projeto arquitetónico dividiu a opinião pública. |
| o atrevimento | Ato de quem se arrisca a fazer algo, por vezes sem respeito. | Teve o atrevimento de entrar sem bater à porta. |
| a audácia | Coragem para enfrentar riscos e tomar decisões arrojadas. | Os navegadores mostraram enorme audácia ao cruzar oceanos desconhecidos. |
| a temeridade | Coragem imprudente de quem se expõe a perigos sem pensar. | Nadar ali com aquele mar foi uma temeridade. |
| a pusilanimidade | Falta de coragem e de firmeza para agir. | A pusilanimidade do gerente impediu-o de defender a equipa. |
| a cobardia | Falta de coragem perante o perigo ou a responsabilidade. | Fugir sem ajudar o amigo foi um ato de cobardia. |
| a sordidez | Qualidade do que é moralmente sujo, mesquinho ou repugnante. | O jornalista denunciou a sordidez do negócio. |
| a vileza | Baixeza moral; ação desprezível. | Trair a confiança de uma criança é uma vileza. |
| a torpeza | Qualidade do que é indigno e moralmente repugnante. | A torpeza do crime chocou a comunidade. |
| a abjeção | Estado de extrema degradação moral ou de humilhação. | O romance mostra a abjeção a que a miséria pode levar. |
| a perversidade | Tendência para fazer o mal de forma deliberada. | O vilão do filme age com uma perversidade fria e calculada. |
| a malvadez | Qualidade de quem gosta de fazer mal aos outros. | A madrasta da história é conhecida pela sua malvadez. |
| a crueldade | Prazer ou indiferença em fazer sofrer pessoas ou animais. | A crueldade com os animais é punida por lei. |
| a sevícia | Maus-tratos físicos graves infligidos a alguém. | O tribunal provou que a vítima sofrera sevícias durante meses. |
| a barbárie | Estado de violência e crueldade extremas, contrário à civilização. | O museu recorda a barbárie dos campos de concentração. |
| a selvajaria | Comportamento violento e brutal, sem respeito por nada. | A destruição do jardim foi um ato de pura selvajaria. |
| a atrocidade | Ato de extrema crueldade. | Os historiadores documentaram cada atrocidade cometida durante a ocupação. |
| a hecatombe | Grande desastre com muitas mortes ou perdas. | A tempestade provocou uma hecatombe nas vinhas da região. |
| o cataclismo | Desastre natural de enormes proporções; grande transformação violenta. | A extinção dos dinossauros terá sido causada por um cataclismo. |
| a calamidade | Desgraça que atinge muitas pessoas ao mesmo tempo. | O governo declarou estado de calamidade depois dos incêndios. |
| o flagelo | Mal ou desgraça que causa grande sofrimento a muitas pessoas. | A fome continua a ser um flagelo em várias regiões do mundo. |
| a praga | Grande quantidade de insetos ou de doenças que destroem culturas; desgraça repetida. | Uma praga de gafanhotos destruiu as colheitas. |
| a peste | Doença contagiosa grave que mata muita gente. | No século XIV, a peste negra matou um terço dos europeus. |
| a desolação | Estado de tristeza profunda; também aspeto de um lugar destruído e vazio. | Depois do incêndio, a serra era uma imagem de desolação. |
| a devastação | Destruição total de uma zona ou de algo. | O furacão deixou um rasto de devastação pela costa. |
| o descalabro | Ruína ou fracasso total. | A má gestão levou o clube ao descalabro financeiro. |
| a derrocada | Desmoronamento de uma construção; também queda ou fracasso completo. | A derrocada da muralha fechou a estrada durante dias. |
| a decadência | Processo de perda gradual de força, valor ou prestígio. | O romance retrata a decadência de uma família aristocrática. |
| o ocaso | Pôr do sol; também fase final e de declínio de algo. | No ocaso da carreira, o ator voltou ao teatro. |
| o crepúsculo | Luz fraca do fim da tarde ou do princípio da manhã; também declínio. | Ao crepúsculo, as gaivotas regressavam ao porto. |
| o alvor | Primeira luz da manhã; também início de algo. | Partimos ao alvor, quando a aldeia ainda dormia. |
| a alvorada | Momento em que o dia começa a nascer; também toque militar para acordar. | Os pescadores saem para o mar logo de alvorada. |
| o arrebol | Cor avermelhada do céu ao nascer ou ao pôr do sol. | O arrebol tingia de rosa as águas do Tejo. |
| o lusco-fusco | Luz fraca do fim da tarde, quando já não é dia nem ainda noite. | Ao lusco-fusco, as luzes da cidade começaram a acender-se. |
| a penumbra | Luz fraca, entre a claridade e a escuridão. | Os quadros estavam na penumbra para proteger as cores. |
| o breu | Escuridão total; também substância negra parecida com o alcatrão. | A aldeia ficou num breu quando faltou a luz. |
| a treva | Escuridão; em sentido figurado, ignorância ou tristeza. | Uma treva espessa cobriu o vale depois do pôr do sol. |
| as trevas | Escuridão completa; em sentido figurado, ignorância e atraso. | A Idade Média foi chamada injustamente a idade das trevas. |
| o fulgor | Brilho intenso e vivo. | O fulgor dos relâmpagos iluminava o céu. |
| o esplendor | Brilho e beleza magníficos; também período de grande prosperidade. | Lisboa viveu o seu esplendor no tempo dos Descobrimentos. |
| o resplendor | Luz intensa que se espalha à volta de algo. | O resplendor do fogo-de-artifício iluminava o rio. |
| o brilho | Luz viva que algo emite ou reflete; também talento notável. | O brilho dos olhos dela mostrava a alegria. |
| a cintilação | Brilho tremeluzente, como o das estrelas. | A cintilação das estrelas deve-se à atmosfera. |
| o lampejo | Brilho rápido e passageiro; também ideia súbita. | Num lampejo de inspiração, resolveu o problema. |
| o clarão | Luz forte e repentina. | Vimos um clarão no céu antes de ouvirmos o trovão. |
| o vislumbre | Visão rápida e imperfeita; também ideia vaga de algo. | Teve um vislumbre de esperança quando o telefone tocou. |
| a centelha | Pequena partícula de fogo; também começo de uma ideia ou de um sentimento. | Uma centelha de génio brilhava nos primeiros desenhos da criança. |
| a fagulha | Pequena partícula incandescente que salta do fogo. | Uma fagulha da lareira queimou o tapete. |
| a labareda | Chama grande e forte. | Cada labareda subia mais alto do que as árvores. |
| o borralho | Brasas e cinzas quentes que ficam na lareira. | A avó assava castanhas no borralho da lareira. |
| a cinza | Pó que fica depois de algo arder. | O vulcão cobriu a aldeia de cinza. |
| o rescaldo | Fase final de um incêndio; também consequências de um acontecimento. | Os bombeiros ficaram toda a noite em trabalhos de rescaldo. |
| o vestígio | Sinal ou marca que fica de algo que já passou. | Os arqueólogos encontraram cada vestígio de uma vila romana. |
| o resquício | Pequeno resto que fica de algo que desapareceu. | Ainda havia um resquício de perfume no quarto vazio. |
| o laivo | Pequeno sinal ou vestígio de alguma coisa. | Respondeu sem um laivo de ironia. |
| o rasto | Marca deixada por alguém ou algo que passou. | Os cães seguiram o rasto do javali pela serra. |
| a pegada | Marca que o pé deixa no chão. | Na areia molhada via-se cada pegada das gaivotas. |
| o sulco | Risco comprido aberto na terra pelo arado; também marca profunda. | O lavrador abria um sulco direito atrás do outro. |
| a fenda | Abertura estreita e comprida numa superfície. | Entrava água por uma fenda na parede. |
| a frincha | Abertura muito estreita, por onde passa luz ou ar. | A luz da manhã entrava pela frincha da porta. |
| a greta | Pequena racha numa superfície seca, como a terra ou a pele. | Com o frio, abriu-se uma greta no lábio inferior. |
| a brecha | Abertura numa parede ou numa defesa; também falha que se pode aproveitar. | Os hackers aproveitaram uma brecha na segurança do sistema. |
| o hiato | Interrupção ou intervalo; em gramática, encontro de duas vogais em sílabas diferentes. | Depois de um hiato de dez anos, a banda voltou aos palcos. |
| o interstício | Pequeno espaço entre duas coisas ou partes. | A água infiltrou-se em cada interstício entre as pedras. |
| o confim | Limite extremo de um território ou de uma área. | A aldeia fica no confim do concelho, junto à fronteira. |
| os confins | Os lugares mais afastados e distantes. | Viajou até aos confins da Patagónia. |
| o horizonte | Linha onde o céu parece encontrar a terra ou o mar; também perspetiva futura. | Ao longe, um barco desaparecia no horizonte. |
| a lonjura | Grande distância. | Os emigrantes sentiam a lonjura da terra natal. |
| a vastidão | Extensão muito grande de espaço. | A vastidão do Alentejo impressiona quem chega da cidade. |
| a imensidão | Grandeza sem limites aparentes. | Perante a imensidão do oceano, sentiu-se pequeno. |
| o infinito | Aquilo que não tem fim nem limites. | Os matemáticos estudam o infinito com fórmulas rigorosas. |
| a eternidade | Tempo sem princípio nem fim; também tempo que parece muito longo. | A espera no hospital pareceu uma eternidade. |
| o efémero | Aquilo que dura muito pouco tempo. | A poesia barroca reflete sobre o efémero da beleza. |
| a transitoriedade | Qualidade do que é passageiro e não dura. | A transitoriedade da juventude é um tema clássico da poesia. |
| a finitude | Condição do que tem fim, sobretudo da vida humana. | A doença fê-lo pensar na sua própria finitude. |
| o túmulo | Construção onde se guarda o corpo de uma pessoa morta. | O túmulo de D. Pedro está no Mosteiro de Alcobaça. |
| a sepultura | Cova ou lugar onde se enterra um morto. | Todos os anos põe flores na sepultura do avô. |
| o jazigo | Construção num cemitério onde se guardam os mortos de uma família. | A família tem um jazigo no cemitério dos Prazeres. |
| o mausoléu | Túmulo grande e monumental. | O mausoléu do imperador atrai milhares de turistas. |
| o epitáfio | Frase escrita sobre um túmulo em memória de quem morreu. | No epitáfio lia-se: "Aqui jaz um homem bom". |
| o obituário | Notícia ou secção de jornal sobre pessoas que morreram. | O jornal publicou um obituário elogioso do cientista. |
| a necrologia | Texto biográfico sobre alguém que morreu recentemente. | A revista dedicou uma longa necrologia ao escritor. |
| as exéquias | Cerimónias de despedida de uma pessoa que morreu. | As exéquias do antigo presidente realizaram-se no Mosteiro dos Jerónimos. |
| o velório | Reunião de pessoas junto ao corpo de alguém antes do funeral. | O velório decorreu durante toda a noite na capela da aldeia. |
| o cortejo fúnebre | Grupo de pessoas e veículos que acompanham um morto até ao cemitério. | O cortejo fúnebre atravessou a vila em silêncio. |
| a viuvez | Estado de quem perdeu o marido ou a mulher. | Depois de anos de viuvez, voltou a casar. |
| a orfandade | Estado de uma criança que perdeu o pai, a mãe ou ambos. | A orfandade obrigou-o a trabalhar desde muito novo. |
| o desamparo | Situação de quem não tem ajuda nem proteção. | O desamparo dos idosos isolados preocupa os assistentes sociais. |
| a desvalia | Perda ou falta de valor; depreciação. | A desvalia dos terrenos deveu-se à construção da lixeira ao lado. |
| a indigência | Pobreza extrema, sem o mínimo para viver. | A crise lançou muitas famílias na indigência. |
| a penúria | Falta grave de dinheiro ou de bens essenciais. | Durante a guerra, a população viveu em grande penúria. |
| a miséria | Pobreza extrema; também situação de grande infelicidade. | Muitas famílias viviam na miséria nos bairros de lata dos anos sessenta. |
| a opulência | Grande riqueza e abundância, muitas vezes exibida. | A opulência dos palácios contrastava com a pobreza das ruas. |
| a abastança | Situação de quem tem bens suficientes para viver bem. | Depois de anos difíceis, a família vivia finalmente na abastança. |
| a fartura | Grande quantidade de alimentos ou de bens. | Na festa da aldeia havia comida com fartura. |
| o fausto | Luxo e riqueza exibidos com grande aparato. | O casamento real foi celebrado com enorme fausto. |
| a pompa | Aparato solene e luxuoso de uma cerimónia. | O novo museu foi inaugurado com toda a pompa. |
| a ostentação | Exibição exagerada de riqueza ou de qualidades para impressionar os outros. | Os carros de luxo do vizinho eram pura ostentação. |
| a sumptuosidade | Qualidade do que é muito rico, caro e magnífico. | A sumptuosidade do salão de baile deixou os convidados sem palavras. |
| a magnificência | Grandeza e beleza que impressionam. | A magnificência do Palácio da Pena atrai milhares de visitantes. |
| a grandiosidade | Qualidade do que é enorme e impressionante. | A grandiosidade da paisagem do Douro emocionou os turistas. |
| a imponência | Aspeto grandioso que inspira respeito. | A imponência da catedral vê-se de longe. |
| a majestade | Grandeza e dignidade solene; também título dado a reis e rainhas. | O castelo erguia-se com majestade sobre a vila. |
| a solenidade | Carácter sério e formal de uma cerimónia ou de um momento. | A entrega dos diplomas decorreu com grande solenidade. |
| a circunspeção | Prudência e seriedade no modo de agir e de falar. | O diplomata respondeu às perguntas com toda a circunspeção. |
| cogitar | Pensar em algo com atenção ou considerar uma possibilidade. | Chegou a cogitar mudar-se para o estrangeiro. |
| matutar | Pensar muito numa coisa, dando-lhe voltas na cabeça. | Passou a noite a matutar no que o pai lhe tinha dito. |
| ruminar | Pensar demoradamente e de forma repetida numa ideia. | Continuava a ruminar a ofensa dias depois da discussão. |
| magicar | Pensar insistentemente em algo, fazendo planos ou suposições. | Que estás tu a magicar com esse ar tão sério? |
| divagar | Falar ou pensar sem seguir um tema, saltando de um assunto para outro. | O professor costumava divagar e esquecia-se da matéria. |
| devanear | Deixar a imaginação vaguear em sonhos e fantasias. | Gostava de devanear a olhar para as nuvens. |
| deambular | Andar sem destino certo, ao acaso. | Passámos a tarde a deambular pelas ruas de Alfama. |
| vaguear | Andar de um lado para o outro sem rumo. | O cão perdido vagueava pela praia há dois dias. |
| perambular | Passear sem destino, a pé. | Gostávamos de perambular pelos mercados das cidades que visitávamos. |
| palmilhar | Percorrer a pé, passo a passo, uma grande distância. | Os peregrinos palmilham centenas de quilómetros até Santiago. |
| calcorrear | Andar muito a pé, percorrendo vários lugares. | Tivemos de calcorrear a cidade inteira para encontrar a peça. |
| percorrer | Andar ou passar por todo um espaço ou caminho. | O comboio vai percorrer a linha do Douro em três horas. |
| trilhar | Seguir um caminho; também abrir caminho. | Cada geração tem de trilhar o seu próprio caminho. |
| singrar | Navegar à vela; em sentido figurado, ter sucesso numa atividade. | Com talento e esforço, conseguiu singrar no mundo da moda. |
| sulcar | Abrir sulcos; também navegar cortando as águas. | Os navios sulcavam o oceano rumo ao Brasil. |
| zarpar | Partir de um porto, levantando a âncora. | O navio deve zarpar ao amanhecer. |
| aportar | Chegar a um porto e atracar. | A caravela conseguiu aportar em Lisboa depois da tempestade. |
| fundear | Prender o barco ao fundo com a âncora. | O iate vai fundear na baía para passar a noite. |
| naufragar | Afundar-se no mar; em sentido figurado, fracassar. | O barco de pesca naufragou ao largo da Nazaré. |
| soçobrar | Afundar-se; em sentido figurado, deixar-se vencer. | Apesar das dificuldades, a empresa não soçobrou. |
| sucumbir | Ceder perante uma força maior; também morrer. | Acabou por sucumbir à tentação e comeu a sobremesa. |
| perecer | Morrer, sobretudo de forma violenta ou acidental. | Dezenas de pessoas pereceram no terramoto de 1755. |
| finar-se | Morrer lentamente; acabar de vez. | O velho capitão finou-se em paz, na sua casa junto ao mar. |
| falecer | Morrer (forma mais formal e delicada). | O avô faleceu no ano passado, aos noventa anos. |
| expirar | Deitar o ar para fora dos pulmões; também terminar um prazo ou morrer. | O prazo para entregar a candidatura vai expirar amanhã. |
| agonizar | Estar perto da morte, a sofrer; também estar em decadência. | O pequeno comércio do centro agoniza com a abertura do centro comercial. |
| fenecer | Murchar e morrer; acabar aos poucos. | As flores fenecem com o calor do verão. |
| murchar | Perder a frescura e a força, como uma planta sem água. | Se não regares as plantas, elas vão murchar. |
| estiolar | Enfraquecer e perder o vigor, sobretudo por falta de luz. | Sem luz natural, as plantas da cave estiolam. |
| florescer | Deitar flores; em sentido figurado, desenvolver-se e prosperar. | A cultura floresceu em Lisboa durante o século XVI. |
| florir | Cobrir-se de flores. | As amendoeiras começam a florir no fim de janeiro. |
| desabrochar | Abrir-se, como uma flor; em sentido figurado, revelar-se. | O talento da jovem pianista começou a desabrochar aos doze anos. |
| vicejar | Crescer com força e cheio de verdura. | Depois das chuvas, a vegetação viceja por toda a serra. |
| medrar | Crescer, desenvolver-se e prosperar. | Neste solo pobre, nada consegue medrar. |
| grassar | Espalhar-se rapidamente, sobretudo uma doença ou um mal. | Uma epidemia de gripe grassou pela cidade no inverno passado. |
| recrudescer | Tornar-se mais intenso ou violento depois de uma pausa. | Os combates recrudesceram durante a noite. |
| amainar | Perder força, sobretudo o vento ou uma tempestade. | Esperámos que o vento amainasse para sair com o barco. |
| serenar | Ficar calmo ou tranquilo; acalmar. | Depois do susto, foi preciso serenar as crianças. |
| apaziguar | Acalmar uma pessoa ou um conflito, restabelecendo a paz. | O mediador tentou apaziguar os ânimos entre os vizinhos. |
| aplacar | Diminuir a força de algo, como a fome, a raiva ou a dor. | Bebeu um copo de água para aplacar a sede. |
| esbater | Tornar menos nítido ou menos intenso, sobretudo cores ou contornos. | O pintor usou um pincel seco para esbater os contornos. |
| esbater-se | Perder nitidez ou intensidade aos poucos. | Com o tempo, as diferenças entre os dois irmãos esbateram-se. |
| diluir | Misturar com um líquido para tornar menos concentrado. | É preciso diluir o xarope em água antes de o beber. |
| dissipar | Fazer desaparecer, espalhando; também gastar sem cuidado. | O sol da manhã dissipou o nevoeiro. |
| dissipar-se | Desaparecer aos poucos, espalhando-se. | As dúvidas dissiparam-se quando vimos os resultados. |
| desvanecer | Fazer desaparecer aos poucos; também envaidecer. | O tempo acabou por desvanecer a mágoa. |
| desvanecer-se | Desaparecer lentamente, perdendo intensidade. | O som dos sinos desvaneceu-se ao longe. |
| esvair-se | Perder as forças ou o sangue aos poucos; desaparecer. | O ferido estava a esvair-se em sangue quando a ambulância chegou. |
| evaporar-se | Passar de líquido a vapor; em sentido figurado, desaparecer de repente. | O dinheiro do prémio evaporou-se em poucas semanas. |
| eclipsar | Esconder um astro; em sentido figurado, fazer perder a importância. | O novo avançado eclipsou todos os colegas da equipa. |
| ofuscar | Impedir de ver com uma luz forte; também tirar o brilho a alguém. | Os faróis do camião ofuscaram o condutor. |
| obnubilar | Tornar o pensamento confuso; impedir de raciocinar com clareza. | A raiva pode obnubilar o juízo de qualquer pessoa. |
| toldar | Cobrir ou escurecer; também perturbar o raciocínio. | As nuvens começaram a toldar o céu de verão. |
| turvar | Tornar menos transparente ou menos claro. | A chuva forte costuma turvar a água do rio. |
| ensombrar | Cobrir de sombra; em sentido figurado, entristecer ou estragar. | A morte do avô ensombrou as festas de Natal. |
| anuviar | Cobrir de nuvens; em sentido figurado, entristecer. | A notícia anuviou o rosto da mãe. |
| enegrecer | Tornar negro ou escuro. | O fumo das velas enegreceu o teto da capela. |
| denegrir | Manchar a reputação de alguém com críticas ou mentiras. | O artigo tentava denegrir a imagem da candidata. |
| macular | Sujar ou manchar, sobretudo a honra ou a reputação. | O escândalo veio macular uma carreira exemplar. |
| conspurcar | Sujar ou manchar de forma grave e desonrosa. | Os vândalos conspurcaram a fachada do monumento com tinta. |
| aviltar | Tornar desprezível, humilhar ou baixar o valor de algo. | Aceitar aquele salário seria aviltar a profissão. |
| vilipendiar | Tratar com desprezo e insultos. | O treinador foi vilipendiado nas redes sociais depois da derrota. |
| achincalhar | Ridicularizar e humilhar alguém publicamente. | Os colegas não paravam de achincalhar o novo aluno. |
| enxovalhar | Ofender, humilhar ou sujar a reputação de alguém. | O comentador enxovalhou o árbitro num texto cheio de insultos. |
| vexar | Envergonhar ou humilhar alguém. | Não quis vexar o funcionário à frente dos clientes. |
| humilhar | Fazer alguém sentir-se inferior ou envergonhado. | O treinador nunca deve humilhar os jogadores em público. |
| espezinhar | Pisar repetidamente; em sentido figurado, tratar com desprezo. | Os chefes autoritários costumam espezinhar os subordinados. |
| calcar | Pisar com força; também apertar para baixo. | Tens de calcar bem a terra à volta da planta. |
| pisar | Pôr os pés em cima de algo. | É proibido pisar a relva do jardim. |
| esmagar | Apertar com força até deformar ou desfazer. | Usa um garfo para esmagar as batatas cozidas. |
| aniquilar | Destruir por completo; reduzir a nada. | O exército inimigo foi aniquilado em poucos dias. |
| dizimar | Matar ou destruir uma grande parte de um grupo. | Uma doença dizimou os castanheiros da região. |
| exterminar | Destruir ou matar completamente. | A empresa contratada conseguiu exterminar as baratas do restaurante. |
| erradicar | Eliminar completamente, desde a raiz. | A vacinação permitiu erradicar a varíola. |
| extirpar | Arrancar pela raiz; também retirar por cirurgia. | O cirurgião teve de extirpar o tumor. |
| debelar | Vencer e eliminar um mal, como uma doença ou um incêndio. | Os bombeiros levaram horas a debelar o incêndio. |
| sufocar | Impedir de respirar; também reprimir com força. | O calor no metro era de sufocar. |
| asfixiar | Impedir a respiração; também oprimir até paralisar. | Os impostos estão a asfixiar as pequenas empresas. |
| estrangular | Apertar o pescoço até impedir a respiração; também bloquear. | As obras vão estrangular o trânsito no centro durante meses. |
| cercear | Cortar rente; em sentido figurado, limitar ou restringir. | A nova lei pode cercear a liberdade de imprensa. |
| tolher | Impedir ou dificultar o movimento ou a ação. | O medo tolhia os movimentos da criança. |
| manietar | Atar as mãos; em sentido figurado, tirar a liberdade de ação. | O regulamento acabou por manietar a direção da escola. |
| agrilhoar | Prender com grilhões ou correntes; também oprimir. | As dívidas agrilhoaram a família durante anos. |
| acorrentar | Prender com correntes. | É proibido acorrentar os cães durante todo o dia. |
| libertar-se | Ficar livre de algo que prendia ou incomodava. | Finalmente conseguiu libertar-se das dívidas. |
| emancipar | Tornar livre ou independente de uma autoridade. | A lei de 1869 veio emancipar os escravos das colónias portuguesas. |
| emancipar-se | Tornar-se independente, sobretudo dos pais ou de uma autoridade. | Aos dezoito anos, quis emancipar-se e ir viver sozinho. |
| alforriar | Dar a liberdade a um escravo. | O fazendeiro decidiu alforriar todos os escravos antes de morrer. |
| redimir | Livrar de uma culpa ou de uma situação má; compensar. | Uma boa exibição pode redimir o jogador do erro anterior. |
| redimir-se | Compensar um erro, recuperando a confiança perdida. | Depois do falhanço, o avançado redimiu-se com dois golos. |
| expiar | Sofrer castigo ou fazer sacrifícios para pagar uma culpa. | Passou anos a expiar o erro que cometera na juventude. |
| purgar | Limpar, eliminando o que é mau ou impuro. | O novo diretor quis purgar a empresa dos vícios antigos. |
| penitenciar-se | Reconhecer publicamente um erro e mostrar arrependimento. | O diretor do hospital penitenciou-se pela demora nas consultas. |
| compungir | Causar dor moral profunda; comover. | O relato da viúva compungiu toda a audiência. |
| condoer-se | Sentir pena do sofrimento de alguém. | É impossível não se condoer com a situação daquelas crianças. |
| apiedar-se | Ter piedade de alguém. | O guarda apiedou-se do rapaz e deixou-o entrar. |
| compadecer-se | Sentir compaixão pelo sofrimento de alguém. | A vizinha compadeceu-se da velhota e passou a fazer-lhe as compras. |
| enternecer | Provocar ternura e emoção. | A carta do neto conseguiu enternecer o avô. |
| enternecer-se | Sentir-se tocado pela ternura. | A avó enterneceu-se ao ver o desenho do neto. |
| comover-se | Sentir uma emoção forte, muitas vezes até às lágrimas. | O público comoveu-se com o discurso do velho ator. |
| sensibilizar-se | Ficar tocado ou consciente perante uma situação. | Muitos jovens sensibilizam-se com a causa ambiental. |
| embevecer | Encantar alguém de tal forma que esquece o resto. | A voz da fadista conseguia embevecer qualquer plateia. |
| extasiar | Provocar admiração e encanto extremos. | A vista do miradouro extasiou os turistas. |
| inebriar | Embriagar; em sentido figurado, encantar e entusiasmar muito. | O perfume das laranjeiras inebriava quem passava. |
| embriagar | Deixar alguém bêbado; também exaltar. | Uma só taça de vinho basta para o embriagar. |
| entorpecer | Tirar a sensibilidade ou a energia; tornar lento. | O frio começou a entorpecer os dedos dos alpinistas. |
| adormecer | Começar a dormir; também fazer dormir. | O bebé costuma adormecer ao colo da mãe. |
| despertar | Acordar; em sentido figurado, fazer nascer um sentimento ou interesse. | O documentário conseguiu despertar o interesse dos alunos pela astronomia. |
| alvorecer | Começar o dia; em sentido figurado, começar a surgir. | Partimos antes de alvorecer, com as estrelas ainda no céu. |
| amanhecer | Começar a nascer o dia. | No verão, começa a amanhecer antes das seis. |
| anoitecer | Chegar a noite; ficar escuro. | No inverno, começa a anoitecer muito cedo. |
| entardecer | Chegar o fim da tarde. | Ficámos na esplanada até entardecer. |
| escurecer | Ficar escuro ou tornar escuro. | As nuvens fizeram escurecer o céu de repente. |
| clarear | Ficar claro; também tornar mais compreensível. | Quando o céu começou a clarear, saímos da tenda. |
| cintilar | Brilhar de forma trémula, como as estrelas. | As luzes da cidade cintilavam ao longe. |
| tremeluzir | Brilhar com luz fraca e instável. | A vela tremeluzia com a corrente de ar. |
| bruxulear | Brilhar com luz fraca e vacilante, prestes a apagar-se. | A lamparina bruxuleava no canto da cozinha. |
| fulgurar | Brilhar intensamente, como um relâmpago; destacar-se. | O jovem talento fulgurou na final do campeonato. |
| resplandecer | Brilhar com muita intensidade. | O mar resplandecia ao sol do meio-dia. |
| refulgir | Brilhar muito, refletindo a luz. | As joias da coroa refulgiam na vitrina. |
| luzir | Dar luz; brilhar. | Os pirilampos luziam na escuridão do jardim. |
| reluzir | Brilhar, refletindo a luz. | Nem tudo o que reluz é ouro. |
| faiscar | Lançar faíscas; também brilhar intensamente. | Os olhos dela faiscavam de raiva. |
| crepitar | Fazer pequenos estalos, como a lenha a arder. | A lenha crepitava na lareira. |
| arder | Estar a queimar com chama; também sentir ardor. | O pinhal esteve a arder durante dois dias. |
| abrasar | Queimar com calor intenso; também inflamar de paixão. | O sol de agosto abrasa os campos do Alentejo. |
| calcinar | Queimar até reduzir a cinza ou a carvão. | O incêndio calcinou dezenas de casas. |
| chamuscar | Queimar ligeiramente à superfície. | Ao acender o fogão, chamusquei as sobrancelhas. |
| tostar | Queimar ligeiramente até ficar dourado. | Gosto de tostar o pão antes de pôr a manteiga. |
| crestar | Queimar levemente à superfície; secar com o calor. | A geada crestou as folhas das videiras. |
| ressequir | Secar demasiado, perdendo toda a humidade. | O vento quente ressequiu a terra. |
| mirrar | Secar e encolher, perdendo a frescura. | As uvas começaram a mirrar na videira. |
| gotejar | Cair gota a gota. | A torneira não para de gotejar durante a noite. |
| escorrer | Correr um líquido devagar; também deixar sair o líquido. | Deixa escorrer a massa antes de a servir. |
| jorrar | Sair com força e em grande quantidade, como um líquido. | A água jorrava do cano rebentado e inundava a rua. |
| brotar | Nascer ou sair da terra; também surgir de repente. | Com a primavera, começam a brotar as primeiras folhas. |
| manar | Correr de forma contínua e abundante, como a água de uma fonte. | Desta fonte mana água fresca durante todo o ano. |
| borbulhar | Formar bolhas, como um líquido a ferver. | Quando a sopa começar a borbulhar, baixa o lume. |
| ciciar | Falar muito baixinho; também fazer um som leve, como o vento nas folhas. | O vento ciciava entre os pinheiros. |
| rumorejar | Produzir um som suave e contínuo, como a água ou as folhas. | O riacho rumorejava junto à casa de campo. |
| trovejar | Fazer trovões; em sentido figurado, falar com voz muito forte. | Começou a trovejar e as crianças correram para dentro. |
| ribombar | Fazer um estrondo forte e prolongado, como o trovão. | Os trovões ribombavam por cima da serra. |
| retumbar | Fazer um som forte que ecoa. | O aplauso retumbou por toda a sala de espetáculos. |
| ecoar | Repetir-se um som por reflexão; também ter grande repercussão. | As vozes das crianças ecoavam no pátio vazio. |
| ressoar | Soar com força, prolongando-se no espaço. | A voz do tenor ressoava na igreja antiga. |
| reverberar | Refletir luz, calor ou som. | O calor reverberava no alcatrão da estrada. |
| vibrar | Tremer com movimentos rápidos; também sentir uma emoção forte. | O telemóvel vibrou em cima da mesa durante a reunião. |
| estremecer | Tremer de repente, por medo, frio ou choque. | A casa toda estremeceu com a explosão. |
| estrebuchar | Agitar-se com movimentos bruscos e convulsivos. | O peixe estrebuchava no fundo do barco. |
| contorcer-se | Torcer o corpo, sobretudo com dor. | O jogador contorcia-se no relvado depois da entrada violenta. |
| retorcer | Torcer de novo ou muitas vezes. | Tens de retorcer bem a roupa antes de a estender. |
| torcer | Rodar uma parte do corpo de forma forçada; também apoiar uma equipa. | Ontem torci o pé ao descer as escadas. |
| vergar | Dobrar sob um peso; em sentido figurado, ceder. | Os ramos da laranjeira vergavam com o peso da fruta. |
| curvar-se | Inclinar o corpo para a frente, por respeito ou cansaço. | O pianista curvou-se perante os aplausos do público. |
| prostrar-se | Deitar-se no chão em sinal de respeito ou de submissão; ficar sem forças. | No quadro, os súbditos prostraram-se diante do imperador. |
| ajoelhar | Pôr-se de joelhos. | O noivo ajoelhou e mostrou o anel. |
| venerar | Ter um respeito profundo e grande admiração por alguém ou algo. | Os adeptos veneram o antigo capitão da equipa. |
| reverenciar | Mostrar profundo respeito por alguém ou algo. | A cerimónia serviu para reverenciar os bombeiros que morreram no incêndio. |
| idolatrar | Admirar alguém de forma exagerada, como se fosse um deus. | Os fãs idolatram a cantora e seguem-na por todo o lado. |
| santificar | Tornar sagrado; também dedicar um dia ao descanso religioso. | Nas aldeias, a tradição mandava santificar o domingo, sem trabalhar nos campos. |
| profanar | Tratar sem respeito algo considerado sagrado. | Os vândalos profanaram várias sepulturas do cemitério. |
| sacrificar | Renunciar a algo importante em favor de outra coisa ou de alguém. | Teve de sacrificar as férias para acabar o projeto. |
| imolar | Matar uma vítima como oferta a uma divindade; sacrificar. | Nos rituais antigos, os sacerdotes imolavam animais aos deuses. |
| oferendar | Dar algo como oferta a uma divindade. | Os povos antigos oferendavam frutos e flores aos deuses das colheitas. |
| abjurar | Renunciar publicamente a uma crença ou opinião. | Galileu abjurou as suas teses perante o tribunal. |
| renegar | Rejeitar ou negar algo ou alguém a que se estava ligado. | Nunca quis renegar as suas origens humildes. |
| apostatar | Abandonar publicamente uma religião ou uma doutrina. | No romance, o jovem padre apostatou e partiu para o Brasil. |
| blasfemar | Dizer palavras ofensivas sobre o que é sagrado; insultar. | O velho marinheiro blasfemava contra o mar sempre que perdia as redes. |
| praguejar | Dizer palavrões ou rogar pragas, sobretudo com raiva. | O condutor praguejou quando o carro avariou outra vez. |
| imprecar | Desejar mal a alguém com palavras; amaldiçoar. | A personagem imprecava contra o destino que a fizera sofrer. |
| esconjurar | Afastar algo mau com palavras ou gestos; amaldiçoar. | Batia três vezes na madeira para esconjurar o azar. |
| exorcizar | Expulsar demónios; em sentido figurado, libertar-se de algo que perturba. | Escrever o livro ajudou-o a exorcizar os fantasmas da infância. |
| agourar | Prever ou anunciar algo mau. | O céu carregado agourava uma noite de tempestade. |
| pressagiar | Anunciar ou prever o que vai acontecer, por sinais. | O silêncio dos pássaros pressagiava a chegada da trovoada. |
| profetizar | Anunciar o futuro como se o soubesse. | O treinador profetizou a vitória e acertou. |
| predizer | Dizer antecipadamente o que vai acontecer. | É impossível predizer o tempo com exatidão para daqui a um mês. |
| inefável | Que não se pode exprimir por palavras, de tão belo ou intenso. | Sentiu uma alegria inefável ao segurar o filho pela primeira vez. |
| indizível | Que não se consegue dizer ou descrever. | O sofrimento dos refugiados era indizível. |
| inenarrável | Tão extraordinário ou horrível que não se pode contar. | A confusão no aeroporto foi inenarrável. |
| indescritível | Que não se pode descrever com palavras. | A vista do alto da montanha era indescritível. |
| inexprimível | Impossível de exprimir ou de traduzir em palavras. | Havia nos seus olhos uma tristeza inexprimível. |
| insondável | Tão profundo ou misterioso que não se consegue compreender. | O mistério do universo continua insondável. |
| inescrutável | Que não se consegue perceber ou adivinhar. | O rosto do jogador de póquer era inescrutável. |
| impenetrável | Que não se consegue atravessar; também difícil de compreender. | A floresta era tão impenetrável que tivemos de voltar para trás. |
| hermético | Fechado de forma a não deixar entrar ar; também muito difícil de compreender. | Guardou o café num frasco hermético para não perder o aroma. |
| críptico | Escrito de forma obscura, difícil de decifrar. | Deixou-me mensagens crípticas que não consegui interpretar. |
| enigmático | Misterioso e difícil de compreender. | A Mona Lisa tem um sorriso enigmático. |
| arcano | Muito secreto e misterioso, conhecido apenas por poucos. | Os alquimistas guardavam segredos arcanos sobre a transformação dos metais. |
| esotérico | Reservado a um pequeno grupo de iniciados; difícil de entender para os outros. | A livraria tem uma secção esotérica com livros de astrologia. |
| recôndito | Muito escondido e afastado. | Explorou os cantos mais recônditos da biblioteca. |
| abstruso | Muito difícil de compreender, por ser confuso. | A explicação do professor foi tão abstrusa que ninguém percebeu. |
| obscuro | Pouco claro ou pouco conhecido. | O poeta nasceu numa família obscura do interior. |
| nebuloso | Coberto de nuvens; também pouco claro ou vago. | A origem da fortuna dele continua nebulosa. |
| difuso | Espalhado e pouco definido; sem limites nítidos. | A luz difusa do candeeiro criava um ambiente tranquilo. |
| ténue | Muito fino, fraco ou delicado. | Ainda havia uma ténue esperança de encontrar sobreviventes. |
| evanescente | Que desaparece pouco a pouco; muito passageiro. | O perfume deixou no ar um rasto evanescente. |
| fugaz | Que passa muito depressa. | Foi um encontro fugaz, mas nunca o esqueceu. |
| fugidio | Que foge ou que evita ser apanhado; difícil de fixar. | O gato tinha um olhar fugidio e desconfiado. |
| volátil | Que se evapora facilmente; também instável e que muda depressa. | Os mercados financeiros estão muito voláteis este mês. |
| etéreo | Leve, delicado e quase irreal. | A bailarina parecia uma figura etérea em palco. |
| diáfano | Tão fino que deixa passar a luz. | Usava um vestido de tecido diáfano e leve. |
| translúcido | Que deixa passar a luz, mas não deixa ver com nitidez. | A casa de banho tem um vidro translúcido na janela. |
| opaco | Que não deixa passar a luz. | Coloca a planta atrás de um cortinado opaco. |
| baço | Sem brilho; pouco luminoso. | Com os anos, o espelho ficou baço. |
| fosco | Sem brilho; mate. | Preferimos um acabamento fosco para as paredes da sala. |
| lúgubre | Muito triste e escuro, que lembra a morte. | O casarão abandonado tinha um aspeto lúgubre. |
| soturno | Triste, silencioso e sombrio. | A personagem principal é uma figura soturna e calada. |
| sombrio | Com pouca luz; também triste ou preocupante. | O relatório traça um cenário sombrio para a economia. |
| tétrico | Que inspira horror e tristeza. | A cave tinha uma atmosfera tétrica que assustava as crianças. |
| macabro | Que tem a ver com a morte de forma assustadora. | O filme tem um humor macabro que nem todos apreciam. |
| fúnebre | Relacionado com a morte e os funerais; muito triste. | A banda tocou uma marcha fúnebre durante a cerimónia. |
| funesto | Que causa desgraça ou morte. | A decisão de navegar naquela noite foi funesta. |
| nefasto | Que provoca danos graves ou consequências muito negativas. | O tabaco tem consequências nefastas para a saúde. |
| aziago | Que traz azar; de mau agouro. | Muita gente acha que sexta-feira 13 é um dia aziago. |
| agoirento | Que anuncia desgraças; de mau presságio. | O pio agoirento da coruja assustava os aldeões. |
| sinistro | Que assusta e faz pensar em algo mau. | Um homem de ar sinistro seguia-nos pela rua. |
| ominoso | Que anuncia algo mau; ameaçador. | Um silêncio ominoso instalou-se na sala. |
| ameaçador | Que parece prestes a causar mal ou perigo. | Nuvens ameaçadoras aproximavam-se da costa. |
| temível | Que causa medo ou que deve ser temido. | Os piratas eram adversários temíveis. |
| tremendo | Muito grande ou muito intenso; também assustador. | Apanhámos uma tremenda tempestade a meio da viagem. |
| pavoroso | Que causa pavor; horrível. | O acidente foi pavoroso e deixou muitos feridos. |
| horrendo | Muito feio ou horrível. | Para o Carnaval, comprou uma máscara de monstro horrenda. |
| hediondo | Extremamente repugnante e cruel, sobretudo um crime. | O assassinato foi considerado um crime hediondo. |
| abominável | Que provoca horror e repulsa; detestável. | O tratamento dado aos animais naquela quinta era abominável. |
| execrável | Tão mau que merece ser condenado com veemência. | Bater numa criança é um ato execrável. |
| ignóbil | Desprezível e sem dignidade. | Mentir à avó para lhe tirar dinheiro foi ignóbil. |
| abjeto | Que provoca desprezo e nojo moral. | O vilão é um ser abjeto que trai todos os amigos. |
| vil | Baixo, desprezível e sem honra. | Enganar os idosos é uma ação vil. |
| torpe | Moralmente indigno e repugnante. | Usou um argumento torpe para justificar a fraude. |
| sórdido | Sujo ou moralmente repugnante. | O escândalo revelou uma história sórdida de corrupção. |
| infame | Que tem má fama; muito vergonhoso. | A traição infame do conselheiro custou o trono ao rei. |
| iníquo | Muito injusto e contrário à equidade. | A lei foi considerada iníqua pelos juristas. |
| perverso | Que gosta de fazer o mal; também que produz o contrário do que se pretendia. | A medida teve efeitos perversos e aumentou o desemprego. |
| pérfido | Traiçoeiro e desleal. | O conselheiro pérfido vendeu os segredos ao inimigo. |
| traiçoeiro | Que trai; também perigoso de forma escondida. | O mar nesta praia é traiçoeiro por causa das correntes. |
| dissimulado | Que esconde as verdadeiras intenções. | Era um rapaz dissimulado, que sorria a todos mas não confiava em ninguém. |
| ardiloso | Que usa artimanhas e enganos para conseguir o que quer. | O vendedor ardiloso conseguiu enganar metade da aldeia. |
| matreiro | Esperto e manhoso, difícil de enganar. | A raposa matreira conseguiu fugir do galinheiro. |
| manhoso | Que usa manhas para conseguir o que quer. | O miúdo é manhoso: chora sempre que quer um gelado. |
| ladino | Esperto e astuto. | O jovem aprendiz era ladino e aprendia tudo num instante. |
| sagaz | Que percebe as coisas com rapidez e inteligência. | A inspetora, muito sagaz, descobriu logo o culpado. |
| perspicaz | Que tem capacidade para perceber o que não é evidente. | Os comentários perspicazes do crítico ajudaram-me a ver o filme de outra forma. |
| arguto | Que tem raciocínio rápido e subtil. | Fez uma pergunta arguta que deixou o orador sem resposta. |
| subtil | Delicado e difícil de perceber; também inteligente e fino. | Há uma diferença subtil entre as duas palavras. |
| apurado | Muito desenvolvido e refinado, como um sentido ou o gosto. | Os cozinheiros têm um paladar apurado. |
| requintado | Muito elegante e de excelente gosto. | Jantámos num restaurante requintado com vista para o rio. |
| refinado | Elegante e culto; também purificado. | Tinha um gosto refinado em literatura e música. |
| primoroso | Feito com perfeição e grande cuidado. | O bordado da toalha é um trabalho primoroso. |
| esmerado | Feito com muito cuidado e atenção aos pormenores. | O restaurante destaca-se pelo serviço esmerado. |
| lapidar | Conciso, perfeito e digno de ficar gravado. | O professor resumiu a questão numa frase lapidar. |
| conciso | Que diz muito em poucas palavras. | Escreva uma resposta concisa de no máximo cem palavras. |
| lacónico | Que usa muito poucas palavras. | A resposta lacónica do diretor deixou os jornalistas frustrados. |
| sucinto | Breve e resumido. | Fez um resumo sucinto da reunião para os colegas ausentes. |
| sintético | Resumido; também produzido artificialmente. | Este manual é muito sintético e vai direto ao essencial. |
| prolixo | Que fala ou escreve de forma demasiado longa. | O relatório era tão prolixo que ninguém o leu até ao fim. |
| verboso | Que usa palavras a mais. | A escrita verbosa do autor cansa o leitor. |
| palavroso | Que fala muito sem dizer nada de importante. | O discurso palavroso do convidado aborreceu a plateia. |
| loquaz | Que fala muito e com facilidade. | O taxista era loquaz e contou-nos a vida inteira. |
| facundo | Que fala com facilidade e elegância. | A oradora facunda prendeu a atenção de todos. |
| eloquente | Que fala de forma convincente; também muito expressivo. | O silêncio dele foi mais eloquente do que qualquer resposta. |
| grandiloquente | Que usa linguagem pomposa e exagerada. | O discurso grandiloquente do autarca soou falso aos ouvidos dos vizinhos. |
| empolado | Exageradamente pomposo e artificial no estilo. | O texto tem um estilo empolado que dificulta a leitura. |
| rebuscado | Excessivamente complicado e trabalhado. | Usou uma linguagem tão rebuscada que ninguém percebeu a mensagem. |
| afetado | Pouco natural, artificial nos gestos ou na maneira de falar. | Tinha um sotaque afetado que irritava os colegas. |
| maneirista | Do maneirismo; também afetado e pouco natural. | A pintura maneirista alonga as figuras de forma estranha. |
| barroco | Do estilo barroco; também muito carregado de ornamentos. | A igreja tem uma talha barroca coberta de ouro. |
| gongórico | Excessivamente rebuscado e obscuro, como o estilo do poeta Góngora. | O estilo gongórico do poema exige várias leituras. |
| ornamentado | Cheio de enfeites e decorações. | O teto ornamentado do palácio é uma obra-prima. |
| despojado | Simples, sem enfeites nem elementos supérfluos. | O quarto tinha um estilo despojado, com uma cama e uma cadeira. |
| ascético | Austero, que renuncia aos prazeres e ao conforto. | Levava uma vida ascética numa cabana nas montanhas. |
| frugal | Simples e moderado, sobretudo na comida. | Fizemos uma refeição frugal de pão, queijo e fruta. |
| parcimonioso | Que gasta com moderação e cuidado. | O tesoureiro é muito parcimonioso com o dinheiro da associação. |
| temperante | Que é moderado nos prazeres e nos hábitos. | O médico aconselhou-o a ser temperante à mesa. |
| abstémio | Que não bebe bebidas alcoólicas. | A Rita é abstémia e brindou com sumo de laranja. |
| ébrio | Que está bêbado. | O condutor ébrio foi detido pela polícia. |
| inebriante | Que embriaga; também que provoca grande encanto. | O perfume inebriante das flores enchia o jardim. |
| embriagador | Que deixa as pessoas bêbadas ou extasiadas. | O cheiro embriagador das tílias anunciava o verão. |
| voluptuoso | Que dá ou procura prazer aos sentidos. | A cantora tinha uma voz voluptuosa e grave. |
| lascivo | Que mostra desejo sensual de forma insistente. | O vilão da novela lança olhares lascivos a todas as personagens. |
| libidinoso | Relacionado com o desejo sexual. | O código penal pune o comportamento libidinoso em espaços públicos. |
| pudico | Que tem pudor; que se envergonha facilmente. | A personagem pudica cora sempre que alguém a elogia. |
| recatado | Modesto e discreto no comportamento. | A rapariga recatada evitava as festas da vila. |
| casto | Puro e sem desejo sexual. | O cavaleiro casto dos romances medievais procurava o Graal. |
| virginal | Puro, intacto, que ainda não foi tocado. | A neve virginal cobria a serra de manhã. |
| imaculado | Sem qualquer mancha ou defeito; perfeitamente limpo ou puro. | A toalha imaculada cobria a mesa do banquete. |
| impoluto | Que não está sujo nem corrompido; moralmente irrepreensível. | O juiz tinha um percurso impoluto de quarenta anos. |
| incorruptível | Que não se deixa subornar nem desviar dos seus princípios. | Era um fiscal incorruptível, que nunca aceitou presentes. |
| íntegro | Honesto e reto em todas as situações. | A presidente da associação é uma pessoa íntegra e respeitada. |
| probo | Honrado e honesto, sobretudo na gestão de bens públicos. | Precisamos de um tesoureiro probo para gerir as contas do clube. |
| idóneo | Adequado e capaz; também que merece confiança. | A empresa procura uma pessoa idónea para o cargo de contabilista. |
| venerável | Digno de grande respeito, sobretudo pela idade ou pela sabedoria. | O venerável professor recebeu uma homenagem dos antigos alunos. |
| respeitável | Que merece respeito; também bastante grande. | Reuniram uma quantia respeitável para a obra da escola. |
| augusto | Que inspira respeito e veneração; majestoso. | A augusta assembleia levantou-se para receber a rainha. |
| excelso | Muito elevado e excelente. | A obra excelsa do compositor foi tocada no concerto de encerramento. |
| sublime | De uma beleza ou qualidade extraordinária. | A interpretação da pianista foi simplesmente sublime. |
| insigne | Notável e muito distinto pelos seus méritos. | O insigne cientista recebeu o doutoramento honoris causa. |
| ilustre | Célebre e muito respeitado pelos seus méritos. | A cidade recebeu a visita de um ilustre escritor. |
| egrégio | Distinto e notável, acima dos outros. | A egrégia figura do historiador marcou a universidade. |
| eminente | Que se destaca pela importância ou pelo valor. | Um eminente cardiologista foi chamado para operar o doente. |
| proeminente | Que sobressai fisicamente; também que tem destaque. | O ator tinha umas maçãs do rosto proeminentes. |
| conspícuo | Que se vê facilmente; que chama a atenção. | A falta do ministro na cerimónia foi conspícua. |
| genuíno | Verdadeiro e autêntico, sem imitação. | Sentiu uma alegria genuína ao rever os amigos. |
| autêntico | Verdadeiro, original; não falso. | Esta assinatura é autêntica, garantiu o perito. |
| espúrio | Falso, ilegítimo ou sem fundamento. | O debate foi desviado por argumentos espúrios. |
| apócrifo | De autoria duvidosa ou falsamente atribuída a alguém. | Esta carta atribuída a Camões é apócrifa. |
| fidedigno | Que merece confiança; credível. | A notícia foi confirmada por fontes fidedignas. |
| verídico | Verdadeiro; que corresponde aos factos. | O filme baseia-se numa história verídica. |
| fictício | Que não é real; inventado. | A personagem é fictícia, mas o contexto histórico é real. |
| quimérico | Fantasioso e impossível de realizar. | Os planos quiméricos do sobrinho nunca saíram do papel. |
| utópico | Ideal, mas impossível de realizar. | Uma sociedade sem conflitos é uma ideia utópica. |
| ilusório | Que engana, porque parece real mas não é. | A segurança que o muro dava era ilusória. |
| fantasioso | Cheio de fantasia; pouco realista. | Contou uma versão fantasiosa do que aconteceu na viagem. |
| onírico | Próprio dos sonhos. | O filme tem um ambiente onírico e misterioso. |
| idílico | Calmo, belo e perfeito, como um sonho. | Passámos as férias numa aldeia idílica junto ao rio. |
| bucólico | Que lembra a vida tranquila do campo. | A pintura mostra uma cena bucólica com pastores e ovelhas. |
| pastoril | Relacionado com pastores e com a vida do campo. | A poesia pastoril idealiza a vida dos pastores. |
| campestre | Do campo; rural. | Fizemos um piquenique num ambiente campestre. |
| agreste | Selvagem e rude, sem cultivo; também áspero. | A paisagem agreste de Trás-os-Montes impressiona os visitantes. |
| inóspito | Difícil de habitar por ser hostil ou desconfortável. | O deserto é uma região inóspita para quem não está preparado. |
| ermo | Deserto, sem gente, isolado. | Caminhámos horas por um caminho ermo sem ver ninguém. |
| desabitado | Sem habitantes. | A ilha ficou desabitada depois do último farol ser automatizado. |
| desolado | Muito triste e abatido; também vazio e destruído. | A família ficou desolada com a notícia. |
| árido | Muito seco, com pouca chuva; também aborrecido. | O sul de Espanha tem zonas muito áridas. |
| fértil | Que produz muito; também cheio de ideias. | As margens do rio têm terrenos muito férteis. |
| viçoso | Cheio de vigor e de frescura, sobretudo plantas. | As alfaces da horta estão viçosas depois da chuva. |
| luxuriante | Que cresce com abundância e vigor. | A vegetação luxuriante da Madeira encanta os turistas. |
| exuberante | Abundante e cheio de vida; também muito expansivo. | A atriz tem uma personalidade exuberante e divertida. |
| frondoso | Com muitas folhas e ramos. | Sentámo-nos à sombra de uma árvore frondosa. |
| umbroso | Que tem ou faz muita sombra. | Descansámos num bosque umbroso junto ao ribeiro. |
| sombreado | Coberto de sombra. | Estacionei o carro numa rua sombreada para não aquecer. |
| soalheiro | Exposto ao sol; com muito sol. | O quarto é soalheiro e quente durante todo o dia. |
| estival | Relacionado com o verão. | As temperaturas estivais chegaram mais cedo este ano. |
| outonal | Relacionado com o outono. | As cores outonais dos castanheiros encantam os fotógrafos. |
| invernal | Relacionado com o inverno; muito frio. | Um frio invernal entrou pela janela aberta. |
| primaveril | Relacionado com a primavera. | Estava uma manhã primaveril, cheia de flores e de pássaros. |
| matinal | Relacionado com a manhã. | Os passeios matinais fazem bem à saúde. |
| vespertino | Relacionado com a tarde ou o fim do dia. | A sessão vespertina do cinema começa às seis. |
| noturno | Que acontece durante a noite; também que vive de noite. | A coruja é uma ave noturna. |
| crepuscular | Relacionado com o crepúsculo; também em declínio. | A luz crepuscular dava ao rio uma cor dourada. |
| argênteo | Com a cor ou o brilho da prata. | A lua deixava uma luz argêntea sobre o mar. |
| áureo | Com a cor do ouro; também glorioso e próspero. | Os anos áureos do clube foram nos anos sessenta. |
| níveo | Branco como a neve. | A noiva tinha uma pele nívea e olhos escuros. |
| purpúreo | De cor vermelho-escura, entre o vermelho e o roxo. | O céu ficou purpúreo ao pôr do sol. |
| rubro | Vermelho intenso; também muito corado. | Ficou rubro de vergonha quando todos olharam para ele. |
| escarlate | Vermelho vivo e brilhante. | Vestia um casaco escarlate que se via de longe. |
| carmesim | Vermelho muito intenso e escuro. | Os lábios carmesim da atriz destacavam-se no grande plano. |
| anil | Azul-escuro, da cor do índigo. | O céu anil de agosto não tinha uma nuvem. |
| glauco | Verde-azulado, da cor da água do mar. | Tinha uns olhos glaucos que mudavam com a luz. |
| esverdeado | Que tem um tom parecido com o verde. | A água do lago tinha uma cor esverdeada. |
| plúmbeo | Da cor do chumbo; cinzento e pesado. | Um céu plúmbeo anunciava chuva. |
| pardo | De cor escura, entre o castanho e o cinzento. | A coruja parda confunde-se com o tronco das árvores. |
| grisalho | Com cabelos brancos misturados com os escuros. | O professor tinha o cabelo grisalho e uns óculos redondos. |
| alvo | Muito branco e limpo. | A roupa alva secava ao sol no quintal. |
| cândido | Inocente e ingénuo; também muito branco. | Fez a pergunta com uma expressão cândida que fez rir os adultos. |
| destarte | Usado em textos formais com o sentido de "desta maneira" ou "assim". | Os prazos foram cumpridos; destarte, o projeto pôde avançar. |
| outrossim | Usado em textos formais e jurídicos com o sentido de "igualmente" ou "também". | Declara, outrossim, que não tem dívidas ao Estado. |
| malgrado | Usado com o sentido de "apesar de"; indica oposição. | Malgrado o mau tempo, o jogo realizou-se. |
| ademais | Usado para acrescentar um argumento: "além disso". | A casa é barata e, ademais, fica perto da praia. |
| de per si | Usado para dizer "por si só, sem mais nada", "isoladamente". | Cada um destes fatores, de per si, não explica a crise. |
| per si | Expressão latina usada para dizer "por si mesmo", "em si". | O dinheiro per si não traz felicidade. |
| ipso facto | Expressão latina que significa "por esse mesmo facto", "automaticamente". | Quem falta ao exame fica, ipso facto, reprovado. |
| grosso modo | Expressão latina que significa "de forma aproximada", "em linhas gerais". | Grosso modo, metade dos alunos vem de fora da cidade. |
| in extremis | Expressão latina que significa "no último momento", "à beira do fim". | A equipa salvou-se da descida in extremis, no último jogo. |
| sine qua non | Expressão latina usada para algo indispensável: "sem a qual não". | Falar inglês é condição sine qua non para este emprego. |
| stricto sensu | Expressão latina que significa "em sentido estrito", "rigorosamente falando". | O tomate, stricto sensu, é um fruto e não um legume. |
| lato sensu | Expressão latina que significa "em sentido amplo", "de modo geral". | A cultura, lato sensu, inclui hábitos, crenças e costumes. |
| ad hoc | Expressão latina que significa "para este fim específico". | Foi criada uma comissão ad hoc para organizar as comemorações. |
| a contrario | Expressão latina usada num raciocínio pelo contrário: "pelo argumento oposto". | Se a lei proíbe fumar no interior, a contrario permite fumar na esplanada. |
| mutatis mutandis | Expressão latina que significa "mudando o que deve ser mudado". | O que vale para os alunos vale, mutatis mutandis, para os professores. |
| de jure | Expressão latina que significa "segundo a lei", por oposição a "de facto". | O território era independente de jure, mas não de facto. |
| vice-versa | Usado para dizer "ao contrário", "trocando a ordem". | Ele ajuda-a nos estudos e vice-versa. |
| mau grado | Usado com o sentido de "apesar de", "contra a vontade de". | Mau grado a chuva, a festa da aldeia realizou-se. |
| não raro | Usado para dizer "muitas vezes", "com frequência". | Não raro, os turistas perdem-se nas ruelas de Alfama. |
| quando não | Usado para acrescentar uma possibilidade mais forte: "ou até mesmo". | As obras atrasam meses, quando não anos. |
| senão quando | Expressão literária que introduz algo súbito: "de repente". | Estávamos a jantar, senão quando falhou a luz em toda a rua. |
| eis que | Expressão usada para introduzir um acontecimento inesperado. | Estava tudo calmo, eis que surge um cão a correr pela sala. |
| eis | Usado para apresentar ou mostrar algo: "aqui está". | Eis o relatório que me pediu. |
| com efeito | Usado para confirmar o que se disse: "de facto", "na verdade". | Disseram que ia chover e, com efeito, choveu toda a tarde. |
| ou antes | Usado para corrigir ou precisar o que se acabou de dizer: "melhor dizendo". | Ele é meu primo, ou antes, primo da minha mulher. |
| a outorga | Ato de conceder algo de forma oficial, sobretudo num contrato ou documento. | A outorga da escritura está marcada para sexta-feira. |
| o outorgante | Pessoa que assina ou concede algo num contrato ou documento oficial. | Cada outorgante deve apresentar o cartão de cidadão no notário. |
| o usufruto | Direito de usar e de receber os rendimentos de um bem que pertence a outra pessoa. | A viúva ficou com o usufruto da casa até ao fim da vida. |
| o usufrutuário | Pessoa que tem o direito de usar um bem alheio e de ficar com os rendimentos. | O usufrutuário pode viver na casa, mas não a pode vender. |
| o comodato | Empréstimo gratuito de um bem que deve ser devolvido. | A câmara cedeu o edifício à associação em regime de comodato. |
| a escritura | Documento oficial feito no notário que regista um contrato, como uma compra de casa. | Assinámos a escritura da casa na semana passada. |
| o cartório | Escritório onde se registam e guardam documentos oficiais. | Fomos ao cartório reconhecer as assinaturas. |
| o notário | Profissional que dá valor oficial a contratos e documentos. | O notário leu o contrato em voz alta antes da assinatura. |
| o conservador | Responsável por uma conservatória de registos. | O conservador do registo civil celebrou o casamento. |
| a conservatória | Repartição pública onde se registam nascimentos, casamentos, imóveis ou empresas. | Foi à conservatória do registo predial pedir uma certidão da casa. |
| a procuração | Documento que autoriza uma pessoa a agir em nome de outra. | Deu uma procuração ao filho para tratar das finanças. |
| o testamento | Documento em que alguém diz o que fazer com os seus bens depois de morrer. | No testamento, deixou a biblioteca à universidade. |
| o testador | Pessoa que faz um testamento. | A vontade do testador deve ser respeitada pelos herdeiros. |
| o legatário | Pessoa que recebe um bem específico deixado em testamento. | O sobrinho foi o legatário do relógio de ouro. |
| o herdeiro | Pessoa que recebe os bens de alguém que morreu. | O único herdeiro da fortuna era um primo distante. |
| a herdade | Grande propriedade rural, típica do Alentejo. | A família tem uma herdade com sobreiros e olivais perto de Évora. |
| o espólio | Conjunto dos bens ou das obras deixadas por alguém que morreu. | A Biblioteca Nacional guarda o espólio de Fernando Pessoa. |
| o inventário | Lista pormenorizada de bens; também processo de partilha de uma herança. | Fizemos o inventário de todos os móveis da casa. |
| o quinhão | Parte que cabe a cada pessoa numa divisão. | Cada irmão recebeu o seu quinhão da herança. |
| a meação | Metade dos bens comuns de um casal que pertence a cada cônjuge. | Com o divórcio, ela ficou com a sua meação do património. |
| o dote | Bens que antigamente a noiva levava para o casamento; também talento natural. | Antigamente, as famílias juntavam um dote para as filhas casarem. |
| a emancipação | Ato de se tornar livre ou independente. | A emancipação das mulheres foi uma conquista do século XX. |
| o tutor | Pessoa encarregada legalmente de cuidar de um menor e dos seus bens. | Depois da morte dos pais, o tio foi nomeado tutor das crianças. |
| a curatela | Encargo legal de cuidar dos bens e dos interesses de uma pessoa incapaz. | O tribunal entregou a curatela do idoso à filha. |
| a interdição | Proibição; também decisão judicial que retira a alguém a capacidade de gerir os seus bens. | Foi decretada a interdição de pesca no rio durante o verão. |
| a inabilitação | Decisão judicial que limita a capacidade de uma pessoa gerir os seus bens. | A família pediu a inabilitação do tio por gastar tudo no jogo. |
| o litígio | Conflito de interesses levado a tribunal. | Os vizinhos estão em litígio por causa do muro. |
| o litigante | Pessoa que é parte num processo judicial. | Cada litigante apresentou as suas provas ao juiz. |
| o pleito | Disputa judicial; também qualquer disputa ou eleição. | O pleito entre as duas empresas durou dez anos. |
| a lide | Processo judicial; também trabalho ou luta. | O advogado acompanhou a lide desde o início. |
| a demanda | Ação judicial; também procura de algo. | A demanda do Santo Graal é um tema dos romances de cavalaria. |
| o demandante | Pessoa que intenta uma ação judicial contra outra. | O demandante exigiu uma compensação pelos prejuízos. |
| o queixoso | Pessoa que apresenta uma queixa às autoridades ou ao tribunal. | O queixoso contou à polícia como foi assaltado. |
| o lesado | Pessoa que sofreu um prejuízo. | Cada lesado do acidente vai receber uma compensação. |
| o ressarcimento | Compensação de um dano ou de um prejuízo. | Os clientes exigem o ressarcimento dos prejuízos causados pela avaria. |
| a indemnização | Dinheiro pago para compensar um dano ou uma perda. | O trabalhador recebeu uma indemnização quando foi despedido. |
| a instância | Cada um dos graus de um tribunal; também pedido insistente. | O caso foi julgado em primeira instância no tribunal de Braga. |
| o foro | Tribunal ou área de competência judicial; também esfera íntima. | Isso pertence ao foro privado de cada um. |
| a comarca | Área territorial que corresponde a um tribunal de primeira instância. | O tribunal da comarca de Lisboa tem muitos processos pendentes. |
| a alçada | Limite da competência de uma autoridade; responsabilidade. | Esse assunto não é da minha alçada. |
| o magistrado | Juiz ou procurador; pessoa que exerce funções judiciais. | O magistrado ouviu as testemunhas durante toda a manhã. |
| a magistratura | Conjunto dos juízes e procuradores; também a sua profissão. | Depois do curso de Direito, seguiu a magistratura. |
| o ministério público | Entidade que representa o Estado nos tribunais e dirige a acusação nos crimes. | O ministério público acusou o gerente de fraude fiscal. |
| o meritíssimo | Forma de tratamento respeitosa dada a um juiz. | O advogado dirigiu-se ao meritíssimo e pediu a palavra. |
| a toga | Veste comprida e preta usada por juízes e advogados no tribunal. | O advogado vestiu a toga antes de entrar na sala de audiências. |
| a beca | Veste preta usada por magistrados e professores em cerimónias. | Os professores desfilaram de beca na abertura solene das aulas. |
| o libelo | Escrito que acusa ou difama alguém; peça de acusação. | O panfleto era um libelo contra a direção do clube. |
| a contestação | Resposta do réu a uma ação; também protesto. | O advogado entregou a contestação dentro do prazo. |
| a alegação | Afirmação apresentada como argumento; também exposição final de um advogado. | A alegação de que o carro estava avariado era falsa. |
| a peroração | Parte final de um discurso; também discurso longo e enfático. | Na peroração, o advogado apelou à consciência dos jurados. |
| a jurisprudência | Conjunto das decisões dos tribunais que servem de orientação. | A jurisprudência do Supremo Tribunal é clara sobre esta matéria. |
| a doutrina | Conjunto de ideias e princípios de uma escola ou de juristas. | Segundo a doutrina maioritária, a cláusula é nula. |
| o precedente | Caso anterior que serve de exemplo ou de justificação. | Esta decisão abre um precedente perigoso. |
| o articulado | Conjunto de artigos de uma lei ou peça judicial dividida em artigos. | O articulado da nova lei tem cinquenta artigos. |
| o edital | Aviso oficial afixado em lugar público ou publicado para informar a população. | A câmara afixou um edital sobre o corte de água. |
| a errata | Lista dos erros de um livro ou documento, com as correções. | A editora incluiu uma errata no fim do volume. |
| a adenda | Texto que se junta a um documento para o completar. | O contrato tem uma adenda com as novas condições de pagamento. |
| o aditamento | Acrescento feito a um texto ou contrato já existente. | O senhorio propôs um aditamento ao contrato de arrendamento. |
| o averbamento | Nota escrita num registo oficial para o atualizar ou corrigir. | O divórcio consta de um averbamento na certidão de casamento. |
| a rubrica | Assinatura abreviada; também título de uma secção de jornal ou de despesas. | Ponha a sua rubrica em todas as páginas do contrato. |
| a chancela | Carimbo ou marca oficial; também a marca de uma editora. | O livro saiu com a chancela de uma pequena editora do Porto. |
| o emolumento | Quantia paga por um serviço oficial, como um registo ou uma certidão. | Cada certidão tem um emolumento fixo de vinte euros. |
| os emolumentos | Taxas cobradas por serviços oficiais; também rendimentos de um cargo. | Os emolumentos do registo da casa custaram mais do que esperávamos. |
| as custas judiciais | Despesas que se pagam ao Estado num processo em tribunal. | A parte que perdeu o processo teve de pagar as custas judiciais. |
| o alpendre | Cobertura à entrada de uma casa, apoiada em colunas. | À tarde, os avós sentavam-se no alpendre a ver quem passava. |
| o beiral | Parte do telhado que sai para fora da parede. | As andorinhas fizeram ninho debaixo do beiral. |
| a soleira | Pedra ou peça no chão, por baixo da porta. | Deixaram a encomenda na soleira da porta. |
| o postigo | Pequena abertura numa porta ou janela, que se pode abrir à parte. | A vizinha espreitou pelo postigo antes de abrir a porta. |
| a claraboia | Janela no telhado que deixa entrar a luz. | A luz do sol entrava pela claraboia do sótão. |
| o caixilho | Moldura de uma janela ou de uma porta onde se encaixa o vidro. | Trocámos cada caixilho de madeira por alumínio. |
| a ombreira | Cada uma das peças laterais que formam o vão de uma porta. | Encostou-se à ombreira da porta à espera da resposta. |
| o rodapé | Faixa na parte de baixo da parede, junto ao chão; também nota no fundo da página. | O pintor protegeu o rodapé com fita-cola. |
| a calha | Canal estreito que conduz a água; também trilho por onde algo desliza. | A calha do telhado estava entupida de folhas. |
| o algeroz | Caleira de um telhado que recolhe a água da chuva. | A chuva transbordava do algeroz entupido. |
| a telha | Peça de barro ou de outro material usada para cobrir telhados. | O vento arrancou mais de uma telha do telhado. |
| a cumeeira | Parte mais alta de um telhado, onde se juntam as duas vertentes. | Um gato dormia na cumeeira do telhado. |
| a viga | Peça comprida e forte de madeira, ferro ou betão que sustenta uma construção. | Uma viga de madeira atravessava o teto da sala. |
| a trave | Peça grossa de madeira usada em construção; no futebol, a barra superior da baliza. | A bola bateu na trave e saiu. |
| o barrote | Peça de madeira grossa e comprida usada em construção. | O carpinteiro pregou cada barrote ao soalho. |
| o soalho | Pavimento feito de tábuas de madeira. | O soalho da casa antiga range a cada passo. |
| o tabuado | Conjunto de tábuas que formam um pavimento ou uma divisória. | O tabuado do palco estava gasto pelos anos. |
| o estuque | Massa de gesso usada para revestir tetos e paredes ou fazer ornamentos. | Os tetos de estuque do palacete foram restaurados. |
| o reboco | Camada de argamassa que cobre uma parede antes da pintura. | O reboco da fachada começou a cair com a humidade. |
| a argamassa | Mistura de cimento ou cal, areia e água usada para unir tijolos ou pedras. | O pedreiro preparou a argamassa num balde grande. |
| o andaime | Estrutura provisória onde os operários se apoiam para trabalhar em altura. | Os pintores subiram ao andaime para pintar a fachada. |
| o alicerce | Base de uma construção, enterrada no solo; também fundamento de algo. | A confiança é o alicerce de qualquer amizade. |
| o entulho | Restos de materiais de construção ou de demolição. | O entulho das obras foi levado num contentor. |
| o tijolo | Bloco de barro cozido usado para construir paredes. | O pedreiro assentou um tijolo de cada vez até terminar a parede. |
| a cantaria | Pedra trabalhada e talhada para construção. | As janelas da igreja têm molduras de cantaria. |
| o granito | Rocha muito dura e granulosa, comum no Norte de Portugal. | As casas antigas do Minho são de granito. |
| o xisto | Rocha que se divide facilmente em lâminas, usada em construção. | As aldeias de xisto da serra da Lousã atraem muitos turistas. |
| o mármore | Pedra dura e polida usada em esculturas e construções. | Estremoz é famosa pelo seu mármore branco e rosa. |
| a ardósia | Pedra escura que se divide em placas finas. | Antigamente os alunos escreviam numa ardósia com giz. |
| o calceteiro | Profissional que faz a calçada com pequenas pedras. | O calceteiro desenhava ondas com pedras pretas e brancas. |
| o ourives | Artesão que trabalha o ouro e a prata. | O ourives fez umas arrecadas de filigrana para a noiva. |
| o latoeiro | Artesão que fabrica e conserta objetos de lata. | O latoeiro consertou o regador furado. |
| o ferreiro | Artesão que trabalha o ferro na forja. | O ferreiro batia o ferro em brasa na bigorna. |
| o tanoeiro | Artesão que faz e conserta pipas e barris. | O tanoeiro ainda faz barris para as quintas do Douro. |
| o oleiro | Artesão que faz objetos de barro. | O oleiro moldava um cântaro na roda. |
| o marceneiro | Artesão que faz móveis de madeira finos. | O marceneiro restaurou a cómoda da bisavó. |
| o tecelão | Pessoa que tece fios num tear. | O tecelão fazia mantas de lã num tear antigo. |
| o sapateiro | Pessoa que faz ou conserta sapatos. | Levei as botas ao sapateiro para trocar as solas. |
| o alfaiate | Pessoa que faz fatos e roupa de homem por medida. | O alfaiate tirou-me as medidas para o fato do casamento. |
| a costureira | Mulher que faz ou arranja roupa por profissão. | A costureira subiu a bainha das calças. |
| a modista | Mulher que faz vestidos e chapéus por medida. | A modista desenhou o vestido de noiva da prima. |
| a bordadeira | Mulher que faz bordados. | Uma bordadeira da Madeira bordou esta toalha à mão. |
| a rendeira | Mulher que faz rendas à mão. | Em Vila do Conde, ainda há uma rendeira que trabalha com bilros. |
| o almocreve | Antigo transportador de mercadorias em animais de carga. | O almocreve levava o sal da costa para as aldeias do interior. |
| o pastor | Pessoa que guarda e conduz o gado. | O pastor levou as ovelhas para a serra. |
| o rebanho | Grupo de ovelhas ou cabras guardadas juntas. | Um rebanho de ovelhas atravessou a estrada. |
| o redil | Recinto onde se recolhem as ovelhas. | Ao fim do dia, o pastor recolhia as ovelhas no redil. |
| o curral | Lugar fechado onde se guarda o gado. | As vacas dormem no curral durante o inverno. |
| a pocilga | Lugar onde se criam porcos; também lugar muito sujo. | Arruma o quarto, que isto parece uma pocilga! |
| o celeiro | Construção onde se guardam cereais. | O trigo da colheita foi guardado no celeiro. |
| o espigueiro | Construção de pedra elevada, típica do Minho, onde se secam espigas de milho. | O espigueiro de Soajo é um dos mais fotografados do país. |
| o palheiro | Construção onde se guarda a palha. | As crianças escondiam-se no palheiro a brincar. |
| a eira | Terreno plano e limpo onde se secam e debulham os cereais. | O milho secava ao sol na eira. |
| a azenha | Moinho movido pela água de um rio. | A velha azenha do rio foi transformada em museu. |
| o moinho | Construção com mós para moer cereais, movida pelo vento ou pela água. | O moinho de vento no alto da colina já não funciona. |
| a mó | Pedra grande e redonda que mói os cereais num moinho. | A mó girava devagar e transformava o milho em farinha. |
| o lagar | Lugar onde se espremem uvas ou azeitonas. | Em novembro, o lagar de azeite trabalha dia e noite. |
| a adega | Lugar onde se faz e se guarda o vinho. | Visitámos uma adega no Douro e provámos vinho do Porto. |
| a pipa | Barril grande de madeira para guardar vinho. | O vinho novo repousa numa pipa de carvalho. |
| o tonel | Barril muito grande para guardar vinho. | Na adega havia um tonel com mais de cem anos. |
| a vindima | Colheita das uvas. | A vindima começa em setembro e junta toda a família. |
| a ceifa | Corte dos cereais maduros. | No Alentejo, a ceifa do trigo fazia-se em junho. |
| a malha | Ação de bater os cereais para separar o grão; também tecido de fio entrelaçado. | Na malha do centeio, os homens batiam as espigas com manguais. |
| a debulha | Separação dos grãos da espiga ou da vagem. | A debulha do milho era uma festa nas aldeias minhotas. |
| a lavoura | Trabalho de cultivar a terra; agricultura. | Os filhos deixaram a lavoura e foram para a cidade. |
| o arado | Instrumento puxado por animais ou por um trator para abrir a terra. | O lavrador atrelou o arado aos bois. |
| a enxada | Ferramenta de lâmina larga e cabo comprido para cavar a terra. | O avô cavava a horta com uma enxada. |
| a foice | Ferramenta de lâmina curva para cortar ervas e cereais. | Cortou o mato do caminho com uma foice. |
| o ancinho | Ferramenta com dentes para juntar folhas, palha ou terra. | Juntou as folhas secas com o ancinho. |
| a forquilha | Ferramenta com dentes compridos para levantar palha ou feno. | Carregou o feno na carroça com a forquilha. |
| a sachola | Pequena enxada usada para sachar e mondar. | Com a sachola, tirou as ervas daninhas entre as couves. |
| o pousio | Período em que a terra fica sem cultivo para recuperar. | Este ano, o campo vai ficar em pousio. |
| a seara | Campo semeado de cereais. | A seara de trigo ondulava ao vento. |
| o restolho | Parte do caule dos cereais que fica no campo depois da ceifa. | As ovelhas pastavam no restolho depois da colheita. |
| a giesta | Arbusto de flores amarelas muito comum nos montes. | Em maio, a giesta cobre os montes de amarelo. |
| a urze | Pequeno arbusto de flores roxas ou cor-de-rosa que cresce nas serras. | A urze em flor pintava de roxo a serra do Gerês. |
| o tojo | Arbusto espinhoso de flores amarelas, típico dos baldios. | Arranhei as pernas no tojo ao subir o monte. |
| o rosmaninho | Planta aromática de flores roxas, parecida com a alfazema. | O cheiro do rosmaninho enchia o caminho. |
| o alecrim | Planta aromática usada na cozinha, de folhas finas e cheirosas. | Assou o borrego com alecrim e alho. |
| a esteva | Arbusto de flores brancas e folhas pegajosas, típico do Alentejo. | O cheiro da esteva é típico da serra no verão. |
| o medronheiro | Arbusto de frutos vermelhos com que se faz aguardente. | O medronheiro dá frutos vermelhos no outono. |
| o castanheiro | Árvore grande que dá castanhas. | Apanhámos castanhas debaixo do castanheiro. |
| o azevinho | Arbusto de folhas espinhosas e bagas vermelhas, protegido por lei. | O azevinho é uma espécie protegida em Portugal. |
| o salgueiro | Árvore de ramos flexíveis que cresce junto à água. | Um salgueiro inclinava-se sobre o lago. |
| o choupo | Árvore alta e esguia que cresce perto dos rios. | Um choupo alto e esguio ladeava a estrada junto ao rio. |
| o freixo | Árvore de madeira forte e flexível, comum junto aos rios. | Fizeram o cabo da enxada com madeira de freixo. |
| o vime | Ramo fino e flexível usado para fazer cestos. | A avó fazia cestos de vime. |
| o junco | Planta de caule comprido e fino que cresce em sítios húmidos. | Os patos escondiam-se no junco da margem. |
| o canavial | Terreno coberto de canas. | As crianças brincavam às escondidas no canavial junto ao rio. |
| o matagal | Terreno coberto de mato denso. | O coelho desapareceu no matagal. |
| a charneca | Terreno inculto e arenoso, com vegetação baixa. | A charneca estendia-se até onde a vista alcançava. |
| a lezíria | Terra plana e fértil nas margens de um rio, que fica alagada nas cheias. | Os cavalos pastavam na lezíria do Tejo. |
| o montado | Paisagem alentejana de sobreiros e azinheiras com pastagens. | Os porcos pretos alimentam-se de bolota no montado. |
| a planície | Grande extensão de terreno plano. | O Alentejo é conhecido pela sua imensa planície. |
| o planalto | Terreno plano em zona alta. | O planalto mirandês é frio no inverno. |
| a encosta | Terreno inclinado de um monte ou de uma serra. | As vinhas descem pela encosta até ao rio. |
| a vertente | Cada um dos lados inclinados de uma montanha; também aspeto de um assunto. | A vertente norte da serra tem mais neve. |
| a falésia | Rocha alta e íngreme junto ao mar. | É perigoso andar à beira da falésia. |
| a arriba | Margem alta e escarpada à beira-mar. | A arriba da praia desabou depois das chuvas. |
| o promontório | Ponta de terra alta que avança para o mar. | O farol foi construído no promontório. |
| a enseada | Pequena baía, abrigada do mar alto. | Os barcos abrigaram-se na enseada durante a tempestade. |
| a baía | Entrada larga do mar na costa. | A baía de Cascais estava cheia de veleiros. |
| o estuário | Zona larga onde um rio se junta ao mar. | O estuário do Sado é famoso pelos golfinhos. |
| a foz | Lugar onde um rio desagua. | A foz do Douro fica no Porto. |
| a nascente | Lugar onde nasce um rio ou uma fonte. | A nascente do Mondego fica na serra da Estrela. |
| o afluente | Rio que desagua noutro rio maior. | O Zêzere é um afluente do Tejo. |
| o caudal | Quantidade de água que corre num rio. | Depois das chuvas, o caudal do rio aumentou muito. |
| o areal | Grande extensão de areia, sobretudo na praia. | O areal estava cheio de banhistas. |
| a duna | Monte de areia formado pelo vento. | É proibido pisar a duna para proteger a vegetação. |
| a restinga | Faixa estreita de areia entre o mar e uma lagoa. | A restinga separa a ria do oceano. |
| a maresia | Cheiro característico do mar. | Ao abrir a janela, sentimos a maresia. |
| a ressaca | Movimento violento das ondas ao recuar; também mal-estar depois de beber muito. | A ressaca do mar arrastou o barco contra as rochas. |
| a rebentação | Lugar onde as ondas se desfazem ao chegar à costa. | Os surfistas esperavam as ondas depois da rebentação. |
| a espuma | Conjunto de pequenas bolhas que se forma na superfície de um líquido. | A espuma das ondas cobria a areia. |
| o marulho | Agitação e som das ondas do mar. | Adormeci com o marulho das ondas. |
| a calmaria | Ausência de vento e de ondas no mar. | Com a calmaria, os veleiros ficaram parados. |
| a bonança | Tempo calmo depois de uma tempestade. | Depois da tempestade vem a bonança. |
| o vendaval | Vento muito forte e violento. | O vendaval derrubou árvores e postes. |
| a ventania | Vento forte e contínuo. | Com esta ventania, é melhor não ir à praia. |
| a borrasca | Tempestade súbita com vento e chuva forte. | Uma borrasca apanhou os pescadores no mar. |
| o aguaceiro | Chuva forte e de curta duração. | Um aguaceiro apanhou-nos a meio do passeio. |
| a morrinha | Chuva muito miúda e persistente. | Uma morrinha fria caía sobre Braga. |
| o chuvisco | Chuva fina e fraca. | Com este chuvisco, nem vale a pena abrir o guarda-chuva. |
| o orvalho | Gotas de água que se formam de manhã sobre as plantas. | A relva estava molhada de orvalho. |
| a orvalhada | Grande quantidade de orvalho; humidade da noite. | A orvalhada da madrugada molhou a roupa estendida. |
| a bruma | Névoa sobre o mar ou ao longe. | O navio desapareceu na bruma. |
| a neblina | Nevoeiro fraco e baixo. | Uma neblina cobria o vale de manhã cedo. |
| o cacimbo | Nevoeiro húmido e chuva miudinha, sobretudo em Angola; humidade fria da noite. | Em Luanda, o tempo do cacimbo traz céus cinzentos. |
| o mormaço | Tempo quente e abafado, com o céu encoberto. | Com este mormaço, até custa respirar. |
| a canícula | Período de calor muito intenso. | Durante a canícula, as pessoas fugiram para as praias. |
| a estiagem | Período seco, sem chuva, em que os rios baixam. | Na estiagem, o ribeiro fica quase seco. |
| o degelo | Derretimento da neve e do gelo. | Com o degelo, os rios da serra enchem-se. |
| lavrar | Abrir a terra com o arado; também redigir um documento oficial. | É preciso lavrar o campo antes de semear. |
| escriturar | Registar contas em livros de contabilidade. | A contabilista tem de escriturar todas as despesas do mês. |
| registar | Inscrever num registo oficial; também anotar. | Fomos registar o bebé na conservatória. |
| averbar | Anotar num registo oficial uma alteração. | A conservatória vai averbar o divórcio na certidão. |
| rubricar | Pôr uma assinatura abreviada. | Tem de rubricar todas as páginas do contrato. |
| autenticar | Confirmar oficialmente que um documento é verdadeiro. | O notário vai autenticar as fotocópias. |
| legar | Deixar em testamento; também transmitir às gerações seguintes. | Decidiu legar a coleção de arte ao museu. |
| herdar | Receber bens de alguém que morreu; também receber características dos pais. | A Maria herdou os olhos azuis da avó. |
| deserdar | Excluir alguém da herança a que teria direito. | O velho industrial deserdou o filho depois de uma discussão. |
| usufruir | Gozar ou tirar proveito de algo. | Os sócios podem usufruir da piscina durante todo o ano. |
| demandar | Levar alguém a tribunal; também exigir ou precisar de algo. | O cliente decidiu demandar a empresa pelos prejuízos. |
| pleitear | Defender uma causa em tribunal; também disputar algo. | O advogado vai pleitear a favor da família no tribunal. |
| litigar | Ter uma disputa judicial com alguém. | Os dois irmãos litigam há anos por causa da herança. |
| querelar | Apresentar queixa criminal contra alguém. | A atriz querelou contra o jornal por difamação. |
| alegar | Apresentar algo como razão ou desculpa. | O aluno alegou que estava doente para faltar ao teste. |
| arrazoar | Expor argumentos para defender uma posição, sobretudo em tribunal. | O advogado teve dez minutos para arrazoar perante o juiz. |
| deferir | Aceitar ou aprovar um pedido oficial. | A câmara deferiu o pedido de licença para a esplanada. |
| indeferir | Recusar oficialmente um pedido. | O pedido de bolsa foi indeferido por falta de documentos. |
| diferir | Ser diferente; também adiar. | As duas versões da história diferem em vários pormenores. |
| protelar | Adiar uma decisão ou uma ação, deixando-a para mais tarde. | Não podemos protelar mais a ida ao dentista. |
| procrastinar | Deixar sempre para depois o que se tem de fazer. | Se continuares a procrastinar, nunca acabas a tese. |
| postergar | Adiar; também pôr de lado ou desprezar. | A direção decidiu postergar a reunião para janeiro. |
| delongar | Demorar; prolongar algo mais do que o necessário. | Não quero delongar esta conversa; vamos ao essencial. |
| dilatar | Aumentar de volume ou de tamanho; também prolongar um prazo. | O calor faz dilatar os metais. |
| tardar | Demorar; chegar tarde. | O médico não deve tardar a chegar. |
| apressar | Tornar mais rápido; fazer alguém ter pressa. | Temos de apressar o passo, ou perdemos o autocarro. |
| precipitar | Fazer acontecer antes do tempo; também atirar de cima para baixo. | A crise veio precipitar o fecho da fábrica. |
| precipitar-se | Agir com pressa e sem pensar. | O jovem precipitou-se e aceitou a primeira proposta que recebeu. |
| açodar | Apressar ou incitar alguém a fazer algo depressa. | Não é preciso açodar os trabalhadores; o prazo é largo. |
| azafamar | Andar ocupado e apressado com muitas tarefas. | Na véspera da festa, a família inteira azafamava-se na cozinha. |
| afadigar | Cansar com trabalho; também empenhar-se com esforço. | Os bombeiros afadigavam-se a apagar as últimas chamas. |
| esfalfar | Cansar muito, até ao esgotamento. | A subida da serra esfalfou os ciclistas menos treinados. |
| estafar | Cansar muito. | A mudança de casa estafou toda a família. |
| extenuar-se | Ficar completamente esgotado de forças. | O maratonista extenuou-se nos últimos quilómetros. |
| arquejar | Respirar com dificuldade e muito depressa. | Depois de subir as escadas, o avô arquejava. |
| ofegar | Respirar depressa e com esforço. | O cão ofegava ao sol depois da corrida. |
| arfar | Respirar com dificuldade; também mover-se para cima e para baixo. | O peito do atleta arfava depois da prova. |
| engasgar | Impedir a passagem do ar ou dos alimentos pela garganta; atrapalhar-se ao falar. | Uma espinha engasgou o menino durante o jantar. |
| balbuciar | Falar de forma hesitante e pouco clara. | Envergonhado, balbuciou um pedido de desculpa. |
| gaguejar | Falar repetindo sílabas, com dificuldade. | Quando ficava nervoso, gaguejava um pouco. |
| tartamudear | Falar com hesitação, repetindo sons; gaguejar. | Surpreendido pela pergunta, o aluno tartamudeou uma resposta. |
| rosnar | Mostrar os dentes e fazer um som ameaçador, como um cão. | O cão rosnava sempre que o carteiro se aproximava. |
| resmungar | Falar baixo e de mau humor, a queixar-se. | O avô resmungava sempre que tinha de tomar os comprimidos. |
| rezingar | Resmungar e discutir com mau humor. | A vizinha rezingava por tudo e por nada. |
| ralhar | Repreender alguém em voz alta. | A mãe ralhou com os filhos por chegarem tarde. |
| repreender | Chamar a atenção de alguém para um erro, com severidade. | O professor teve de repreender os alunos que copiaram. |
| admoestar | Avisar alguém de forma séria sobre um erro. | O árbitro admoestou o jogador antes de lhe mostrar o cartão. |
| vituperar | Criticar com dureza e insultos. | O crítico vituperou o filme num artigo feroz. |
| increpar | Repreender com severidade, acusando. | O capitão increpou os marinheiros pela falta de disciplina. |
| invetivar | Atacar com palavras violentas e agressivas. | O capitão invetivou os colegas no balneário ao intervalo. |
| verberar | Criticar com veemência; censurar duramente. | O editorial verberou a falta de investimento nos hospitais. |
| fustigar | Bater com força; também atacar com críticas. | O vento fustigava as janelas durante toda a noite. |
| açoitar | Bater com um chicote; também bater com violência. | As ondas açoitavam o paredão do porto. |
| vergastar | Bater com uma vara fina e flexível. | A chuva vergastava o rosto dos caminhantes. |
| flagelar | Castigar com chicote; também causar grande sofrimento. | A seca flagelava os agricultores do Sul. |
| mortificar | Causar sofrimento físico ou moral; atormentar. | A dúvida mortificava-o dia e noite. |
| atormentar | Causar grande sofrimento ou inquietação. | O remorso atormentava a personagem até ao fim do romance. |
| afligir | Causar preocupação ou sofrimento. | A doença do filho afligia os pais. |
| angustiar | Causar grande ansiedade e aflição. | A falta de notícias angustiava a família dos pescadores. |
| acabrunhar | Deixar alguém abatido e desanimado. | A notícia do despedimento acabrunhou o pai. |
| abater | Deitar abaixo; também deixar alguém sem ânimo. | A morte do amigo abateu-o profundamente. |
| prostrar | Deitar abaixo; deixar alguém sem forças. | A gripe prostrou metade da turma durante uma semana. |
| consternar | Causar grande tristeza e desolação. | A morte do jovem ciclista consternou toda a vila. |
| estarrecer | Assustar ou espantar ao ponto de deixar sem reação. | A violência das imagens estarreceu os espectadores. |
| apavorar | Causar muito medo. | O som do trovão apavorava as crianças. |
| horrorizar | Causar horror ou indignação. | A crueldade do crime horrorizou o país. |
| arrepiar | Fazer os pelos levantarem-se, com frio ou emoção. | Esta música arrepia-me sempre. |
| eriçar | Levantar os pelos ou as penas. | O gato eriçou o pelo quando viu o cão. |
| encrespar | Tornar crespo; também agitar a superfície do mar. | A humidade encrespa o cabelo da Joana. |
| ondular | Mover-se em ondas. | O trigo ondulava com o vento da tarde. |
| de todo em todo | Expressão que significa "completamente", "totalmente". | A proposta é de todo em todo inaceitável. |
| a ferro e fogo | Expressão que significa "com grande violência e destruição". | Os invasores puseram a cidade a ferro e fogo. |
| de lés a lés | Expressão que significa "de uma ponta à outra". | Percorreram o país de lés a lés de bicicleta. |
| de fio a pavio | Expressão que significa "do princípio ao fim, sem saltar nada". | Li o relatório de fio a pavio e não encontrei o erro. |
| às apalpadelas | Expressão que significa "tateando, sem ver"; também sem orientação. | Sem luz, desci as escadas às apalpadelas. |
| aos solavancos | Expressão que significa "com sacudidelas"; também com interrupções. | O velho autocarro subia a serra aos solavancos. |
| aos trambolhões | Expressão que significa "a cair e a tropeçar"; também com grande desordem. | O miúdo desceu as escadas aos trambolhões. |
| de rajada | Expressão que significa "muito depressa e de uma só vez". | Disse tudo de rajada, sem respirar. |
| de chofre | Expressão que significa "de repente, sem aviso". | A notícia chegou de chofre e deixou-nos sem palavras. |
| à queima-roupa | Expressão que significa "muito de perto"; também de forma direta e inesperada. | O jornalista fez-lhe a pergunta à queima-roupa. |
| a esmo | Expressão que significa "ao acaso, sem rumo nem critério". | Atirava pedras a esmo para o lago. |
| ao deus-dará | Expressão que significa "ao abandono, sem cuidado". | O jardim ficou ao deus-dará depois de os donos emigrarem. |
| à matroca | Expressão que significa "à sorte, sem controlo nem ordem". | O barco andou à matroca depois de perder o leme. |
| de enfiada | Expressão que significa "seguidamente, uns atrás dos outros". | A equipa ganhou cinco jogos de enfiada. |
| em catadupa | Expressão que significa "em grande quantidade e de seguida". | As encomendas chegaram em catadupa depois do anúncio. |
| a eito | Expressão que significa "seguidamente, sem escolher nem saltar nada". | Os trabalhadores cortaram o mato a eito. |
| a rodos | Expressão que significa "em grande quantidade". | Naquele ano, havia laranjas a rodos. |
| às mancheias | Expressão que significa "em grande quantidade, com generosidade". | O professor distribuía elogios às mancheias. |
| de mansinho | Expressão que significa "devagar e sem fazer barulho". | O gato entrou de mansinho na cozinha. |
| pé ante pé | Expressão que significa "com passos leves, para não fazer barulho". | Entrou em casa pé ante pé para não acordar os pais. |
| a bel-prazer | Expressão que significa "como se quer, segundo a própria vontade". | O novo dono muda as regras a bel-prazer. |
| ao arrepio de | Expressão que significa "contra", "em sentido contrário a". | A decisão foi tomada ao arrepio de todas as recomendações técnicas. |
| à guisa de | Expressão que significa "à maneira de", "como". | Leu um poema à guisa de introdução. |
| à laia de | Expressão que significa "à maneira de", "servindo de". | Usou um lenço à laia de chapéu. |
| em jeito de | Expressão que significa "à maneira de", "com o tom de". | Disse-lhe, em jeito de despedida, que voltaria em breve. |
| o vernáculo | A língua própria de um país, falada de forma pura e correta; também linguagem corrente. | O escritor usa um vernáculo rico, cheio de palavras do povo. |
| o desiderato | Aquilo que se deseja alcançar; objetivo. | O grande desiderato da associação é construir um novo pavilhão. |
| o epíteto | Palavra ou expressão que qualifica alguém ou algo; cognome. | D. Dinis ficou conhecido pelo epíteto de "o Lavrador". |
| a alcunha | Nome que se dá a alguém por uma característica, em vez do nome verdadeiro. | Na escola, todos o conheciam pela alcunha de "Pardal". |
| o apodo | Alcunha trocista ou ofensiva. | O apodo que lhe deram na aldeia acompanhou-o toda a vida. |
| a diatribe | Crítica violenta e mordaz, oral ou escrita. | O cronista publicou uma diatribe contra a nova ponte. |
| a invetiva | Discurso ou expressão agressiva contra alguém. | O treinador respondeu à invetiva do jornalista com calma. |
| o panegírico | Discurso ou texto de grande elogio a alguém. | O discurso de homenagem foi um verdadeiro panegírico ao velho mestre. |
| a apologia | Discurso ou texto que defende ou elogia uma ideia ou uma pessoa. | O livro é uma apologia da vida simples no campo. |
| a filípica | Discurso violento contra alguém. | O treinador fez uma filípica contra a arbitragem na conferência de imprensa. |
| o sofisma | Argumento que parece correto, mas é falso e serve para enganar. | O raciocínio dele não passava de um sofisma bem construído. |
| a sinecura | Cargo bem pago que exige pouco ou nenhum trabalho. | Aquele lugar na administração era uma sinecura. |
| o beneplácito | Consentimento ou aprovação dada por uma autoridade. | O projeto só avançou com o beneplácito da câmara. |
| a ignomínia | Desonra extrema causada por um ato vergonhoso. | Abandonar os feridos seria uma ignomínia. |
| a perfídia | Deslealdade grave de quem trai a confiança de outra pessoa. | A perfídia do sócio, que fugiu com o dinheiro, deixou-o arruinado. |
| a plêiade | Grupo de pessoas notáveis na mesma área. | O festival reuniu uma plêiade de grandes músicos. |
| a epistemologia | Ramo do pensamento que estuda a natureza e os limites do conhecimento. | A cadeira de epistemologia discute como sabemos que algo é verdadeiro. |
| a ontologia | Área da filosofia que estuda o ser e aquilo que existe. | A pergunta «o que é real?» pertence à ontologia. |
| magnânimo | Que é generoso e perdoa com facilidade. | A vencedora foi magnânima e elogiou as adversárias. |
| pernicioso | Que causa grande mal, muitas vezes de forma lenta e escondida. | A desinformação tem uma influência perniciosa na sociedade. |
| a idiossincrasia | Maneira de ser ou de reagir própria de uma pessoa ou de um grupo. | Cada família tem a sua idiossincrasia e os seus pequenos rituais. |
Dez palavras por dia: sete novas e três para rever. As que erra voltam mais vezes. Quando acerta o nível inteiro, passa ao seguinte.